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Março-maio 2024

Nota de Abertura

O Programa UAARE continua a cumprir os seus objetivos e a sua principal missão. A pouco tempo do final de mais um ano letivo e também de uma época desportiva para os nossos Alunos-Atletas, considerámos muito importante dar destaque, por um lado aos desafios que se colocam nesta fase de transição de muitos dos Alunos-Atletas para o ensino superior, e por essa razão, salientaremos o trabalho realizado por algumas das Equipas de Apoio Psicopedagógico (EAP), cuja intervenção, como bem sabemos,  procura dar ênfase à promoção da qualidade de vida dos alunos através de múltiplas ações. Assim, porque se aproximam momentos muito decisivos no percurso destes alunos, não podíamos deixar de dar o merecido lugar a esse trabalho.

Apoio a AA

Como é sobejamente conhecido, a atividade das EAP é muito diversa: apoio na elaboração de planos de estudo individuais adaptados às necessidades e horários dos Alunos-Atletas; apoio académico personalizado; aconselhamento e suporte emocional; aconselhamento psicológico para ajudar os Alunos-Atletas a lidar com o stress e a pressão competitiva; Workshops sobre gestão de tempo, resiliência e estratégias de enfrentamento ou focados no desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais; sessões de coaching para desenvolver a autoconfiança e a motivação, envolvimento dos Pais e Encarregados de Educação, adaptação das estratégias e métodos de apoio com base no feedback dos Alunos Atletas e outros stakeholders, etc.

Como referimos, queremos enfatizar neste momento o suporte na transição para o ensino superior. Por essa razão, a SEAM ND esteve presente na recente reunião da EAP, a convite da Psicóloga Sara Malhoa, tendo a oportunidade de lançar esse desafio para que as equipas nos dessem a conhecer as suas atividades no âmbito da orientação vocacional e apoio na escolha de cursos e instituições de ensino superior, assim como sobre os desafios e expectativas da vida universitária.

Mostra Ensino Superior

O trabalho das equipas de apoio psicopedagógico no programa UAARE desempenha um papel crucial na preparação dos Alunos-Atletas para a realização dos exames nacionais de acesso ao ensino superior. Este apoio é essencial para ajudar os estudantes a equilibrar as exigências académicas com os seus compromissos desportivos, garantindo que estejam bem preparados para enfrentar este importante desafio.

As equipas oferecem sessões de tutoria e acompanhamento regular, focando-se nas disciplinas que compõem os exames nacionais, ajudando os Alunos-Atletas a consolidar o conhecimento e a ganhar confiança. O apoio emocional e psicológico é um componente vital deste processo. As equipas organizam sessões de aconselhamento para ajudar os estudantes a lidar com o stress e a ansiedade que frequentemente acompanham a preparação para exames. Técnicas de gestão de stress, como mindfulness e relaxamento, são ensinadas para melhorar o foco e a concentração. 

Este enfoque holístico visa assegurar que os Alunos-Atletas estejam não só preparados academicamente, mas também emocionalmente fortalecidos para enfrentar os exames nacionais e alcançar o sucesso no acesso ao ensino superior.

Alguns exemplos do que está a ser feito pelas Equipas de Apoio Psicopedagógico

UAARE da Escola Secundária Martins Sarmento

Anabela Mendes (Psicóloga UAARE) disse-nos que no que concerne a Orientação Vocacional e de Carreira, a UAARE da Escola Secundária Martins Sarmento segue o preconizado nas linhas orientadoras do Modelo de Intervenção da Equipa de Apoio Psicopedagógico, que visa apoiar o desenvolvimento vocacional e de carreira, capacitando os Alunos-Atletas para identificarem as suas competências e interesses e tomarem decisões em matéria de educação, de formação e de emprego.

No plano anual da Escola Secundária Martins Sarmento são definidas, no início do ano letivo, diversas atividades de promoção da orientação vocacional. Em articulação com o Serviço de Psicologia e Orientação é efetuado o planeamento de atividades macrossistémicas conjuntas, em contexto de turma, de forma a abranger todos os alunos, realizando sessões de esclarecimento de dúvidas, relativamente ao acesso ao ensino superior, em todas as turmas de 12.º ano. Nas turmas onde há necessidade de intervenção mais seletiva, e/ou por indicação do diretor de turma, são realizadas sessões de aplicação de provas de avaliação psicológica (aptidões, motivação, interesses e/ou personalidade e competências) e posterior feedback individual dos resultados, com discussão conjunta dos mesmos e tomada de decisão. Todos os Alunos-Atletas da UAARE têm sessões de orientação vocacional individual com o objetivo primordial de auxiliar e acompanhar o aluno/atleta na sua tomada de decisão vocacional.

Apoio a AA ESMS

Uma outra vertente importante da Orientação Vocacional são as mostras de oferta formativa. A Escola Secundária Martins Sarmento (UAARE e SPO) esteve presente nos três dias da “Feira de Oportunidades Orienta-te” promovida pela Câmara Municipal de Guimarães no mês de maio. Nesta mostra estiveram presentes mais de 60 instituições de ensino, formação e emprego dirigidas a todos os jovens, com o objetivo de os orientar nas suas opções formativas e profissionais. Todos os alunos do 12.º ano da Escola Secundária Martins Sarmento tiveram a oportunidade de conhecer e obter informação junto das entidades do ensino superior. Ainda neste âmbito de mostras formativas, a Escola Secundária Martins Sarmento promove, no final do mês de maio, a feira “Inspiring Future”, onde mais uma vez os alunos têm oportunidade de se dotar de informação relativamente à oferta formativa no ensino superior.

Mostra Ensino Superior

São ainda promovidas sessões para pais, onde os encarregados de educação são convidados a vir à escola para uma sessão de esclarecimento acerca do acesso e candidatura dos seus educandos ao ensino superior. O modelo UAARE de Orientação Vocacional da Escola Secundária Martins Sarmento assenta assim na premissa de acompanhamento individual atendendo às especificidades de cada Aluno-Atleta tendo em vista a sua carreira-dual, as suas expectativas, os seus interesses e aptidões, definindo em conjunto estratégias para uma tomada de decisão consciente e informada em relação ao futuro académico e/ou profissional.

Escola Secundária Pedro Nunes 

Ana Baio, Psicóloga UAARE e SPO

As atividades de intervenção vocacional realizadas no âmbito das UAARE revelam-se de especial importância, apesar de nem sempre serem sentidas desse modo pelos Alunos-Atletas, confidenciou-nos a Psicóloga Ana Baio.

Trata-se de assegurar que os jovens que competem a nível desportivo no alto rendimento o conciliem simultaneamente com o sucesso académico e consigam ter carreiras desportivas de topo, enquanto fazem o seu percurso académico.

As principais dificuldades devem-se, no seu entender a:

  • Se, por um lado, há jovens que sabem qual o percurso académico que pretendem seguir e são excelentes alunos, outros não, tendo nesse caso de haver disponibilidade “mental” do jovem para pensar no futuro académico – muitos jovens estão focados apenas na modalidade desportiva e na gestão do dia-a-dia da escola – refletir sobre qual o curso a seguir, implica disposição que nem sempre existe;
  • A conciliação desporto/escola, implica que estes jovens têm menos tempo para se dedicar à carreira académica, assim, no processo de intervenção vocacional além de se trabalhar o autoconhecimento (interesses, aptidões, resultados escolares, valores, entre outros), a informação escolar (áreas de estudo, cursos profissionais, cursos superiores), faz sentido, incluir na equação as variáveis tempo e investimento disponível, para depois o jovem tomar uma decisão;
  • Decisões escolares menos adequadas poderão ser mais difíceis de gerir nos Alunos-Atletas, pois implica menos tempo para recuperações de aprendizagem e menos motivação para algo que por vezes já era sentido como “algo secundário”;

Desta forma, as atividades de intervenção vocacional terão de integrar-se na gestão do dia-a-dia (escola / desporto) do jovem, por exemplo, numa fase em que o jovem se esteja a preparar para um campeonato da Europa ou Mundo, a sua disponibilidade mental para pensar num projeto de estudos a longo prazo é diminuta, mas poderá mostrar abertura, se lhe for proposto realizar algumas destas atividades quando tem menos treinos por estar a recuperar de uma lesão, ou estiver numa fase menos intensa da sua modalidade.

Assim, no início do ano escolar, o psicólogo poderá analisando o calendário de cada jovem, escolher a(s) melhor(es) datas para o abordar. A articulação com os pais também é muito importante e manter um canal de diálogo com estes é essencial.

Algumas datas a ter em conta:

Tabala

Um exemplo a propósito - Estratégias de gestão da ansiedade - És Alun@ UAARE? Estás convocad@!

 Cartaz           AA AECC

No dia 30 de abril de 2024 realizou-se na AE Coimbra Centro a terceira sessão dirigida a Alunos-Atletas com a temática: "Estratégias de Gestão de Ansiedade". Tivemos a oportunidade de ouvir o importante testemunho do Bernardo Tralhão: um ex-Aluno-Atleta UAARE; atleta medalhado de judo e, atualmente, estudante universitário. Falou de todos os seus desafios atuais e da importância de prosseguir estudos e de apostar na carreira desportiva. No decorrer da sessão falámos de várias estratégias de gestão de ansiedade nos dois contextos: académico e desportivo e da relevância de as colocar em prática, com foco no processo e nos resultados. A partilha de experiências dos Alunos-Atletas foi a peça chave da sessão.

Notícias UAARE em destaque

Nesta secção, incluímos as notícias publicadas no site UAARE. Consulte todas as notícias aqui.

A UAARE nos media

Nesta secção, incluímos referências nos media ao trabalho das UAARE e dos seus alunos-atletas.

Estudos de casos complexos de conciliação

Nesta secção, incluímos os estudos de caso publicados no site UAARE. Consulte todos os estudos aqui.

Nos estudos de caso apresentados agora no site UAARE pela SEAM-ND, podem ser consultados exemplos de prática em casos complexos de conciliação da carreira dupla nas escolas da rede UAARE, nomeadamente em situações de Alunos-Atletas com PPI-C (Planos pedagógicos individuais de conciliação), com ausências prolongadas à escola por motivos desportivos, geralmente associados ao alto rendimento e à participação em seleções nacionais. Os casos reais apresentados tentam mostrar algum detalhe no processo de planeamento da ausência, os instrumentos e processos utilizados por Professores Acompanhantes (PA), Equipas de Escola, Conselhos de Turma, Encarregados de Educação e Interlocutores desportivos, bem como a ação dos vários intervenientes no pós-ausência, terminando com uma breve reflexão do/a PA sobre o caso, para que possam documentar a prática do programa, fornecer a outras escolas da rede informação relevante para melhorar a sua prática e fomentar o contacto direto entre escolas para que possam desenhar os seus PPI-C de forma colaborativa.

Questões que importa não ignorar: elevada pressão para o desempenho.

À conversa com Victor Pardal – Coordenador Nacional UAARE

Victor Pardal

No sentido de podermos acompanhar melhor os possíveis desenvolvimentos relacionados com essa nova realidade anunciada para os Alunos-Atletas que prosseguem os seus estudos a nível universitário, uma nova realidade com inúmeros os desafios que certamente se colocam… convidámos o Professor Victor Pardal para uma conversa, e, cujas respostas muito agradecemos.
Contextualizando…

A replicação da UAARE nas Instituições de Ensino Superior vêm já desde 2020, data na qual surge pela primeira vez como intenção declarada no orçamento do estado, no tópico das linhas estratégicas a desenvolver pela área do desporto “• Promover a conciliação do sucesso académico e desportivo, alargando ao ensino superior o bem-sucedido projeto criado em 2016 no ensino secundário denominado Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola, consagrando apoio estrutural à carreira dupla, através de tutorias e ambientes virtuais de aprendizagem para percursos de educação de estudantes atletas no ensino superior, ajustados e flexíveis à sua carreira; “ – citado do Orçamento e Plano 2022/2026.

Dessa data até hoje, tem a mesma necessidade sido reiterada de forma sistemática, surgindo em 12 de dezembro de 2023 o Despacho n.º 12653/2023, através do qual é criado o projeto piloto “UAARESuperior”, no âmbito das Unidades de Apoio ao Alto Rendimento no Ensino Superior.

Aliás, no preâmbulo do citado despacho é referido, e passo a citar:

“Neste âmbito, importa relevar a experiência adquirida e o sucesso conseguido pelo programa das UAARE, no ensino básico e secundário, iniciado através do projeto piloto denominado de «Apoio ao Alto Rendimento na Escola», criado pelo Despacho n.º 9386-A/2016, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 139, de 21 de julho de 2016, da Secretária de Estado Adjunta e da Educação e  dos Secretários de Estado da Educação e da Juventude e do Desporto, e regulamentado em definitivo com a publicação da Portaria n.º 275/2019, de 25 de agosto, que cria e regulamenta as condições de funcionamento das UAARE.”

Atualmente é assumido, pelo XXIV Governo Constitucional o compromisso de “Reforço das UAARE & UAARE Superior” (intervenção do Senhor Secretário de Estado do Desporto, Panathlon, Lisboa 16 de maio de 2024).

Alguns assuntos abordados…

A integração académica e desportiva

Como é que a UAARE (Ensino Superior) planeia garantir uma transição adequada e bem-sucedida para os Alunos-Atletas que ingressam no ensino superior, equilibrando as exigências académicas e desportivas?

Neste contexto, é considerada a experiência adquirida e o manifesto sucesso conseguido pelo programa UAARE, o qual constitui um exemplo que deve ser replicado e adaptado no quadro do ensino superior, alargando o âmbito do seu impacto ao longo da carreira académica dos Estudantes-Atletas, num quadro de autonomia das instituições de ensino superior (IES).
O apoio à carreira dupla dos Estudantes-Atletas em instituições de ensino superior, deverá ser efetuado, com suportes formais - designadamente ao nível da participação dos Estudantes-Atletas com estatuto de alto rendimento desportivo e de participação regular nas seleções nacionais, no âmbito da Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, aprovada pela Lei n.º 5/2007 de 16 de janeiro, e definidos no Decreto-Lei n.º 272/2009 de 1 de outubro e Decreto-Lei n.º 45/2023 de 5 de abril.

Igualmente estes direitos deverão ser assegurados por medidas de suporte estrutural que permitirão percursos académicos ajustados à carreira desportiva dos Estudantes-Atletas.

As medidas a adotar a este propósito exigem, igualmente, a articulação entre as IES e os diferentes intervenientes nos sistemas desportivos, tais como diretores, treinadores, interlocutores desportivos, médicos e psicólogos.

Nesse sentido, e numa fase inicial, pretende-se implementar um projeto piloto que suporte, de um modo formal e estrutural, os Estudantes-Atletas inscritos em ciclos de estudos do ensino superior, com o objetivo de criar um ambiente que permita a conciliação do sucesso académico e desportivo.

Apoio académico específico

Que medidas poderão vir a ser implementadas para fornecer suporte académico personalizado aos Alunos-Atletas, levando em consideração as suas necessidades individuais e agendas desportivas?

A resposta será para além de considerar o apoio formal, legislação publicada que lhes conferem direitos , nomeadamente os artigos 3.º e 2.º respetivamente dos Decretos-Lei n.º 272/2009 e n.º 45/2013 - regime escolar, igualmente e em simultâneo, disponibilizar medidas de suporte estrutural, que promovam reais situações de equidade pedagógica tais como, designação e criação/instalação de um conjunto de estruturas, que desencadearão o projeto piloto, previsto no Despacho n.º 12653/2023: criação da estrutura nacional de apoio à carreira dupla;  designação do Coordenador Nacional UAARE Superior e  da Coordenação Nacional UAARE;  criação da Equipa de Desenvolvimento de Ambientes Digitais de Aprendizagem; designar o conselho de acompanhamento e a comissão de parceiros.

Deverá ainda elaborar de acordo com as especificidades de cada IES, o plano do projeto piloto UAARESuperior (podendo ser alargado a dois anos), enquadrado especificamente em artigos referenciados no Despacho descrito anteriormente.

A este propósito será fundamental criar um clima amigável da Carreira Dupla nas IES, que deverá ser participado e partilhado no sentido estrito da sua autonomia, através do gabinete da Carreira Dupla, coordenado por Professor Acompanhante de cada IES (artigo 19.º, do capítulo III do Decreto-lei n.º 277/2019), com equipa de tutoria - apoio pedagógico; apoio psicopedagógico - psicólogo/a – suporte psicológico e emocional; gestão do tempo; gestão da ansiedade e reforço de competências. Pretende-se assegurar condições no processo da CD (antes, durante e depois da ausência e dos períodos de preparação e competição) que respondam aos diferentes cenários (constrangimentos) que se colocam ao Estudante-Atleta. Deverá ser previsto um “banco de horas” por IES. Toda esta equipa de cada IES deve especificamente responder e assegurar de forma contextualizada o modelo UAARESuperior.

É igualmente decisivo ter em linha de conta as orientações estratégicas de cada estrutura de gestão de cada IES, bem como auscultar todos os Estudantes-Atletas sobre as suas necessidades de conciliação da carreira dupla e propor ambientes de aprendizagem inovadores adequados à sua formação académica e que permitam níveis de priorização, conciliação e compromisso com a vida desportiva.

Assim, a análise quantitativa de dados de caracterização, do desempenho académico e desportivo, em articulação com as instituições de ensino superior UAARESuperior, será determinante para definir um plano de ação digital para o projeto piloto, em conjunto com as instituições de ensino superior UAARESuperior, propondo e apoiando a utilização de recursos facilitadores da interação entre os vários intervenientes, através de modelos síncronos, assíncronos e híbridos de acesso a recursos educativos digitais, tutores/mentores, entre outros
Só deste modo será possível apoiar, identificar e construir com cada Estudante-Atleta e tutor, o respetivo plano pedagógico de conciliação, com a necessária priorização e compromisso de conciliação que melhor assegure, o processo de conciliação entre o sucesso desportivo e académico;

Os clubes e as federações, nomeadamente a FADU deverão ser envolvidas no processo de Carreira Dupla, através dos Interlocutores. Da mesma forma, o “Coordenador nacional UAARESuperior”, deverá entre outras ações, acompanhar, definir e monitorizar procedimentos, de forma sistemática  com as equipas das IES, tendo por base indicadores de qualidade e de impacto, face aos cenários de conciliação que se apresentem.

Neste contexto interessará desenvolver, implementar e articular com a “Equipa de desenvolvimento de ambientes digitais UAARESuperior” (n.º 7, Despacho 12653/2023) e todas as IES envolvidas no processo, a plataforma online - sala digital UAARESuperior por IES (prevê-se a possibilidade de parcerias com as IES), através da qual seja criado um ambiente amigo e de suporte da carreira dupla dos Estudantes-Atletas.

Nota: Pode ser consultado, a propósito deste assunto: 
https://uaare.dge.min-educ.pt/pt/instituicoes-de-ensino-superior-pilares-de-sucesso-para-alunos-atletas

Por outro lado, À conversa com... Luís Deus (Lisboa e Vale do Tejo; Lisboa, Algarve) Subcoordenador Nacional UAARE – Sul

A elevada pressão para o desempenho constitui um tópico que, desde a primeira hora, está no centro das prioridades de intervenção das UAARE junto dos seus Alunos(as)-Atletas. Ele não é, naturalmente, exclusivo dos Alunos(as)-Atletas UAARE, estando presente no dia-a-dia de grande parte da população, nos mais diversos grupos profissionais, mas é justo referir que tem particular acuidade em jovens que se encontram a concluir a escolaridade obrigatória, em paralelo com uma fase decisiva da sua afirmação desportiva. A sobrecarga horária, o foco na obtenção de resultados, a gestão da sua vida pessoal (família, amigos, namorados(as), lazer, etc.) constitui um desafio para estes Alunos(as)-Atletas e para quem trabalha com eles, devendo todo o processo ser enquadrado de forma holística, percebendo que, mais do que o(a) aluno(a) ou o(a) atleta, trabalhamos com uma pessoa, nas suas múltiplas dimensões.
Fruto do crescimento (e sucesso!) do Programa UAARE, o número de Alunos(as)-Atletas que enquadramos é crescente, incluindo, naturalmente, os casos em que as dificuldades de conciliação, face à elevada pressão para o desempenho, têm maior significado. Dentro destes e de forma simples, distinguimos, ainda, 3 níveis de complexidade:

- Baixa: com pequenas acomodações nos seus horários (escolar e desportivo) ou com ausências escolares frequentes por motivos desportivos (estágios ou competições);

- Média: com acomodações nos seus horários e ausência escolares frequentes; 

- Elevada: com alterações frequentes de horários de treino (p.e., por mudança de escalão) e presença regular em estágios e competições, designadamente ao nível das seleções nacionais.

Estas situações de maior complexidade acontecem em diferentes escolas, em diferentes modalidades e com diferentes Alunos(as)-Atletas, mas com uma maior escala no caso do futebol e das academias e escolas associadas.

Cumpre-nos, assim e em conjunto, trabalhar na procura de soluções alternativas e inovadoras que se ajustem às necessidades sentidas, de forma ajustada a cada caso e sem nunca comprometer a qualidade do ensino ou da formação desportiva. É neste quadro e com estes objetivos que equipa UAARE está a desenvolver trabalho, salientando a necessidade de todas as soluções terem de ser encontradas em parceria e com o forte compromisso não só das escolas, mas também dos clubes, academias, federações e, sempre, com o envolvimento dos pais e encarregados de educação.

Queremos partilhar: XXI Concurso Literário “A Ética na Vida e no Desporto” promovido pelo IPDJ

E porque os nossos Alunos-Atletas são sempre muito mais do que possamos imaginar, sendo também Cidadãos de corpo inteiro, mais que alunos, mais que atletas, mais que ambas as coisas! Cidadãos empenhados e reflexivos, preocupados e conscientes de realidades que lhes merecem atenção. Por tal motivo, partilhamos convosco o exemplo que o Adelino Carvalho
(CRU - Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro) nos fez chegar.

VSC

O Aluno-Atleta UAARE, Pedro Gomes, integrado na turma do 10.º SE3, da Escola Secundária Martins Sarmento e também atleta da modalidade de futebol, escalão de Sub-16, do Vitória Sport Clube, concorreu ao XXI Concurso Literário “A Ética na Vida e no Desporto” promovido pelo IPDJ, com o texto “A Ética na Bancada”. Esta edição registou uma forte adesão e participação, tendo sido admitidos 240 trabalhos oriundos de todas as regiões de Portugal e onde o Pedro alcançou um excelente 3º Lugar final, com atribuição de uma Menção Honrosa.

O texto será publicado numa das edições do Jornal Desportivo “A Bola”.

Parabéns ao Pedro Gomes e a todos os envolvidos. 

Com a devida autorização do Pedro Gomes, segue o texto Premiado.

A ética na bancada

Desporto e vida. Vida e desporto. Não dá para separá-los! E a Ética? Bússola moral e valor supremo da vida e desporto. Táticas e preceitos morais. Técnicas e civismo. Desenvolvimento pessoal! Cidadania e decisão! A ética dentro e fora do jogo! O campo como símbolo da vida! O treino como aprendizagem e preparação prévia com conhecimentos, habilidades e atitudes. A camaradagem entre colegas como princípio de coesão social, trabalhando em função de um objetivo comum. Adversários como desafios e desafiadores, cheios de qualidades. Treinadores como orientadores no
percurso. Arbitragem como o cumprimento das regras. A emoção do golo como expressão da superação e vitória

Mas a ética vai muito além das 4 linhas de jogo. A competição (desenfreada) parece mascarar o que é realmente importante: a vitória com esforço e dedicação, em pleno trabalho coletivo e sempre com dignidade, apoiados por quem nos é mais próximo. (S)Urge o apoio da bancada. O famoso 12.º jogador! E os adeptos especiais: os pais.

Os pais são as referências que nos acompanham ao longo da vida. Assumem-se como os principais educadores na transmissão de valores, aclamação do esforço, respeito pelos adversários, compreensão e reflexão nas derrotas e orgulho nas vitórias.

A estrutura emocional que nos prepara para enfrentar o mundo. Com um contributo ímpar no nosso desenvolvimento pessoal e social. Os modelos ético-morais a seguir e os principais norteadores da nossa vi(r)agem. O código ético-desportivo parental é mais do que garantir as idas e vindas aos treinos.

Envolve atitudes. É ir ao estádio apoiar os filhos, respeitando o jogo e todos os atores.

É estar lá, com um sorriso, com paciência na reflexão do que menos bom pode acontecer.

Motivar para comportamentos moralmente positivos e valorizadores.... Reforçar a dedicação, humildade e respeito pelos outros. Aplaudir no evitar a falta. Um apoio na superação das derrotas e na comemoração das vitórias... e sempre, mas sempre orgulhosos em fazer sobressair o que há de melhor em cada um. Motivando o fairplay.

Aplaudindo os feitos de todas as equipas. Respeitando as diferenças. Vibrando e puxando pelos seus filhos – focados no positivo e no acreditar dos seus educandos, mas nunca invadindo espaços alheios ou rebaixando ou fazendo bullying com adversários. Fundamental a sua presença serena, mas quente, vibrando com os golos e com comportamentos dignos, mantendo sempre o nível de excelência. Fazendo do desporto um exemplo de valores positivos e moralmente corretos para além dos estádios. Na escola. No emprego. Na sociedade. Na vida. A arte em fintar e driblar
desafios para a superação máxima, respeitando tudo e todos. Um ambiente positivo implica comportamentos ético-morais positivos dentro e fora das 4 linhas!

Queremos ser excelentes? Sim, trabalhamos para isso! Dentro e fora do campo! Com os melhores mentores na bancada. Vamos todos escolher ser campeões também a nível ético?

E porque o ano letivo está quase a chegar ao final, queremos uma vez mais, desejar a todos a motivação necessária para chegarmos à meta, com o sentimento do dever cumprido.

SEAM ND

Destaques das newsletters de escolas

A newsletter mensal de escola tem como objetivo melhorar os canais de comunicação interna, tanto na própria escola como entre escolas UAARE. Esta newsletter é preparada pelo/a Professor/a Acompanhante e publicada na plataforma Teams UAARE, no canal geral, sendo assim partilhada com toda a rede nacional de escolas e servindo para fornecer informação a integrar na newsletter mensal nacional. Esta newsletter de escola é também partilhada na plataforma interna da escola para divulgar a atividade da UAARE local junto de alunos-atletas e a equipa de escola, ou mesmo para toda a escola e comunidade, via website ou outros canais existentes.

Nesta secção destacamos algumas informações partilhadas pelas escolas.

Agrupamento de Escolas João de Meira

Helena

Ser atleta não é só estar presente nos treinos, mas também ser disciplinado e capaz de colocar na mente que, para um desempenho perfeito, tudo conta, como a recuperação entre treinos, a alimentação, a suplementação e o apoio dos pais e dos técnicos especializados. Atendendo ao exposto, é possível observar uma vontade de vencer e muita resiliência nos atletas lesionados. Assim, apresento o meu caso. Comecei a prática da Patinagem de Velocidade com os meus 11 anos, em 2018, por insistência de um professor/treinador que viu algo em mim. Em 2021, duas semanas antes de começar a época, fui atingida por uma calha de um patim no joelho, o que resultou em três anos árduos, com idas a ortopedistas, (primeiro em Portimão, depois em Lisboa e, por fim, no Porto), idas a fisioterapeutas três, quatro vezes por semana, idas a nutricionistas, psicólogos desportivos e a especialistas para tirarem resíduos tóxicos e restos de anestesias do meu corpo. Fiz sete ressonâncias magnéticas e sofri uma agressão física. Também ultrapassei duas operações, muito stress e depressões. Felizmente, tive o apoio de todos os especialistas mencionados anteriormente e, principalmente, dos meus pais e do meu melhor amigo de quatro patas. Tive várias recaídas, mas, ao mesmo tempo, uma grande força de vontade de recuperar e chegar aos meus objetivos passo a passo. Não podemos desistir a meio de um processo, pois o nosso único obstáculo somos nós mesmos, uma evolução é constituída por erros, lutas, dificuldades, processos, desilusões e tempo. Já em 2024, continuo a prática desportiva, ainda na alta competição, com treinos intensos. Não vou baixar os braços até conseguir representar bem o meu país. Concluindo, como Usain Bolt disse: “Eu treinei quatro anos para correr 9 segundos e existem pessoas que desistem quando não veem resultados em dois meses”.

Agrupamento de Escolas de Alcochete

Na tentativa de contribuir para a melhoria dos resultados escolares dos alunos-atletas futebolistas do SCP, do 8.ºano, turma K iniciou-se um programa no dia 30 de abril, no âmbito da gestão emocional e autocontrolo, gestão do tempo, autonomia, motivação e resolução de problemas, em articulação com os psicólogos UAARE, EMAEI e o Instituto Universitário Egas Moniz, curso de Licenciatura em Psicologia.

Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor

No dia 22 de maio, às 14h30, o Auditório do AEPS foi palco de um evento crucial para o futuro do desporto limpo e justo: a sessão "Doping – A Importância da Verdade Desportiva". Conduzida por Carlos Fernando Roxo Tavares dos Santos, representante da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP), a palestra foi uma oportunidade única para aprofundar a compreensão sobre os efeitos e consequências do doping no desporto. Agradecemos especialmente ao Prof. Carlos pela sua generosidade em partilhar os seus conhecimentos e à ADoP pelo apoio fundamental na realização deste evento. A sessão contou com a presença entusiástica de todos os atletas do Projeto UAARE - Ponte de Sor, além das Equipas Técnicas, Professores da SEAM e Professores de Educação Física. Os participantes saíram do auditório mais conscientes da importância de manter a integridade e a verdade no desporto, reforçando o compromisso com práticas desportivas justas e saudáveis. Esta sessão não só esclareceu dúvidas, mas também inspirou uma reflexão profunda sobre os valores que devem guiar o mundo desportivo.

Palestra antidoping

Escola Secundária Afonso Lopes Vieira

No dia 22 de março de 2024, realizou-se no auditório da nossa escola, uma palestra subordinada ao tema “Tu também podes ser a presidente do teu clube. Entra em campo”. O público-alvo foram as alunas do ensino secundário, com o objetivo de promover uma maior igualdade de género no desporto. Além da apresentação de um vídeo promocional da campanha, teve lugar um painel de debate com o tema: “Liderança e o Dirigismo Desportivo no feminino”. Uma das oradoras deste evento foi a Interlocutora Desportiva UAARE do Conservatório Annarella Sanchez.

Tu também podes ser a presidente do teu clube

Escola Secundária Fonseca Benevides

No dia 22 de março estiveram reunidos, no Complexo de piscinas do Jamor, o professor acompanhante, Pedro Batista, o Subcoordenador Nacional UAARE, Luís Deus, e o nosso Aluno-Atleta Diogo Ribeiro (12A2). Nesta reunião foram abordados alguns assuntos, tais como a articulação entre a escola e atividade desportiva, nomeadamente a sua participação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024

Diogo Ribeiro

De 17 a 19 de abril, a nossa escola celebrou a “Semana da Escola”. Nestes dias tivemos o prazer de receber alguns dos nossos Alunos-Atletas que frequentam o ensino a distância. No dia 17 de abril estiveram presentes as alunas Gabriela Amorim, do 9A4, Beatriz Castro, do 9A2, e Carolina Correia, do 10A4, acompanhadas pela dra. Tânia Cruz, docente no apoio à carreira dual dos atletas do Centro de Alto Rendimento do Jamor. As Alunas-Atletas descreveram o seu quotidiano no Centro do Jamor, bem como algumas dificuldades na conciliação entre a vida académica e a prática desportiva do ténis. Obrigado pela vossa visita.

ESFB

Agrupamento de Escolas Padre António Martins de Oliveira, Lagoa

No dia 28 de fevereiro, a UAARE ESPAMOL reuniu para mais uma reunião de articulação UAARE. Estiveram presentes na reunião: o Coordenador Nacional do programa UAARE, Prof. Victor Pardal; o Subcoordenador Nacional UAARE, Prof. Luís Deus; a Coordenadora Regional, Prof. Ângela Abrantes; a Diretora do Agrupamento ESPAMOL, Prof. Emília Vicente; a Prof. Acompanhante do Programa UAARE ESPAMOL, Prof. Célia Rodrigues; a Psicóloga UAARE ESPAMOL, Dra. Diana Prudêncio.

AEPAMOL

Estas reuniões são sempre momentos de partilha, reflexão e análise muito importantes. Nesta discutiram-se muitos temas, com maior incidência nos seguintes:

  1. Reorganização da Equipa Nacional UAARE, com designação, interina, dos Subcoordenadores Nacionais para as zonas norte e sul, respetivamente, Pedro Seco e Luís Deus;
  2. Balanço da monitorização da FRM.2 e Data UAARE;
  3. Planificação da cerimónia 'Embaixador/a OLY' (Investidura; plano de intervenção; data para a primeira reunião da rede de Embaixadores).

Uma das maiores qualidades da UAARE é a capacidade de colaborar com os outros para que todos atinjam o seu potencial máximo e, juntos, alcancem objetivos compartilhados. É esta engrenagem de equipa(s) coesa(s) que permite agir em conjunto de forma eficaz, com cooperação, unindo talentos e capacidades para enfrentar desafios, criar abordagens significativas e trazer soluções inovadoras e adequadas a cada um e ao todo. SOMOS TODOS UAARE!

O que andam os nossos ex-alunos atletas a fazer?

Iago

O Iago está no último ano do mestrado em Engenharia Informática da Universidade de Coimbra, a realizar estágio curricular e tese correspondente. A nível desportivo faz parte da Seleção Nacional Sénior e sub-23. Integra ainda o Projeto Esperanças Olímpicas, encontrando-se a preparar embarcações com vista aos Jogos Olímpicos 2028.

Ser mãe de atleta

O desafio de ser mãe de 2 atletas, que também são estudantes, ou de 2 estudantes que também são atletas.

Ser mãe de uma atleta que também estuda é um grande desafio, ser mãe de duas atletas que também estudam é um desafio a dobrar. O dia a dia é duro, mas principalmente para elas. O levantar às 6h da manhã para ir treinar, ainda por cima para ir fazer uma atividade na água ao ar livre, com vento, chuva e, por vezes, temperaturas negativas… que também as há no Algarve. Para muitos é chamado de loucura! “Tão bem que se estava no quentinho da cama” – muitos pensariam. No caso delas, penso que encaram com alguma naturalidade, apesar de haver muitos dias que lhe custa. A vida obriga a sacrifício, o desporto obriga a sacrifício e o desporto de alta competição ainda mais. Não são obrigadas a nada, a não ser ir à escola. Penso que a ESPAMOL ajuda-as a manter o nível de motivação para a competição, o saberem que, paralelamente ao desporto, existe uma escola “vocacionada” para os atletas e para a conciliação das suas vidas de alunas e atletas. São muitas as faltas às aulas, em deslocações para as competições, para as competições, os estágios da seleção… Mas a escola não pára, a matéria não pára. É preciso recuperar aprendizagens, ter aulas extra de apoio, reagendar testes, fazer preparação para os testes e exames, enfim…. Quanto às rotinas diárias, felizmente há mais um atleta lá em casa e, por isso, a parte de levantar às 6h da manhã não tem implicações diretas para mim. Mas no período da tarde há mais: mais um treino de água, um treino de ginásio. É preciso gerir a parte dos transportes - levá-las, buscá-las….

É necessário conciliar muita coisa, muitas rotinas… e também é preciso estudar, também é preciso conviver, tudo é importante. O facto de, desde pequeninas, terem sido educadas a serem autónomas ajuda muito. Deu muito trabalho, mas agora ajuda-me bastante a mim e a elas. Neste processo todo, o que para mim é mais difícil de gerir são as ansiedades e emoções. As delas e as minhas. O que lhes transmito é que devem sempre encarar a escola, a competição e a vida no geral com naturalidade, com confiança e que se trabalharmos e quisermos muito uma coisa conseguimos; que o esforço compensa sempre, mesmo que às vezes pareça que não. Assistir às provas também é um desafio. São os gritos de encorajamento (que elas não ouvem). É a corrida ao lado da embarcação até à meta. Depois, no final da prova, é um extravasar de emoções e respirar fundo. A mim parece-me que é mais difícil ver que fazer. 😊 O que desejo é que continuem a ser atletas até quererem, que consigam sempre alcançar os objetivos. Eu, estarei sempre cá para elas.

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