Fevereiro-abril 2026
Newsletter Nacional UAARE fevereiro 2026 - abril 2026
Mensagem do Subcoordenador Nacional

"A arte e o engenho para continuar a inovar"
Estimada Comunidade UAARE,
Cabe-me, neste período que compreendeu os meses de fevereiro a abril de 2026, partilhar os avanços de um programa que se reinventa para melhor responder aos desafios do presente, planeando o futuro. Se a consolidação é o nosso alicerce, a "arte e o engenho" são o motor que nos permite transformar desafios em soluções pedagógicas e desportivas de excelência.
Ao aproximarmo-nos, a passos largos, do final de mais um ano letivo, a Equipa Nacional e a Equipa de Apoio Psicopedagógico terminaram recentemente as visitas às 27 escolas da rede nacional UAARE. Este roteiro concretiza o terceiro de quatro grandes períodos previstos de registo e monitorização, assumindo-se como uma oportunidade privilegiada de autoavaliação. O objetivo é que, em estreita colaboração com as equipas locais, possamos identificar, analisar e discutir melhoria de processos.
Este período de reflexão conjunta incide, primordialmente, em quatro eixos fundamentais:
- Otimização de processos: Análise das situações de melhoria identificadas no momento de monitorização anterior e partilha de boas práticas na rede nacional de escolas UAARE;
- Sinergia Institucional: Avaliação da interação interna e externa no processo de conciliação da carreira dual;
- Acompanhamento Individualizado: Supervisão e análise de casos de alunos-atletas com planos de intervenção específicos (planos pedagógicos individuais de conciliação, recuperação de aprendizagens, melhoria do desempenho académico, gestão de agendas e reforço do compromisso escolar);
- Dimensão Humana: Intervenção psicopedagógica alinhada com o modelo de atuação dos psicólogos UAARE.
Estes momentos de reflexão permitem-nos “respirar” o ambiente escolar e interagir com todos aqueles que, diariamente, tornam o modelo UAARE uma realidade viva no terreno. São, de facto, ocasiões ímpares de contacto sistemático com a realidade, onde o rigor técnico se cruza com a dedicação humana.
Reforçando ainda este compromisso com a excelência, assinalamos com entusiasmo um marco na profissionalização da Carreira Dual: a certificação dos primeiros profissionais do Percurso de Curta e Média Duração do Interlocutor Desportivo (PCMD do ID). No passado dia 27 de abril, celebrámos a entrega de diplomas desta qualificação, agora integrada no Catálogo Nacional de Qualificações. Este percurso — fruto da parceria estratégica entre a UAARE, o IEFP de Leiria, a AF Leiria, o IPDJ e a ANQEP — garante que os nossos interlocutores atuem com competências reconhecidas e uma linguagem comum, elevando o rigor do acompanhamento aos nossos alunos-atletas
Inovar exige coragem para questionar o que está feito e engenho para construir o que ainda falta. Com o empenho de todos — escolas, famílias e parceiros desportivos — continuaremos a elevar o padrão da carreira dual em Portugal.
Seguimos juntos, com arte e engenho.
SOMOS TODOS UAARE!
O Subcoordenador nacional UAARE
Pedro Seco
Nota Introdutória
Bem-vindos à Newsletter Nacional UAARE.
A Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola deseja que esta interrupção letiva da Páscoa tenha constituído, para todos, um verdadeiro momento de pausa, recuperação e renovação a todos os níveis. Num contexto exigente como aquele em que se movem os nossos alunos-atletas, estes períodos assumem particular importância, permitindo restabelecer energias e preparar, com foco renovado, os desafios que ainda se avizinham.
Entramos agora, para a maioria das escolas, no último período do ano letivo, uma fase decisiva em que se intensificam compromissos académicos e desportivos. É, por isso, tempo de reafirmar objetivos, consolidar aprendizagens e manter o equilíbrio que está na base do sucesso da carreira dual.
Neste número da newsletter, mantemos o compromisso de partilhar o que acontece na UAARE — porque muito acontece… e queremos dar a conhecer. Destacamos, desde logo, a participação da equipa nacional UAARE na BETT Show 2026, reforçando a aposta na inovação educativa e na integração de novas abordagens no apoio aos alunos-atletas.
Assinalamos igualmente a conclusão da 1.ª edição do Percurso de Curta e Média Duração de Interlocutor Desportivo, um momento estruturante para o desenvolvimento da carreira dual em Portugal, que vem reforçar a qualificação dos profissionais que acompanham alunos e estudantes-atletas.
Damos também início a uma nova rúbrica — “À Conversa com o Professor Acompanhante” — que nasce da vontade de dar visibilidade ao papel fundamental destes docentes, verdadeiros pilares no acompanhamento e orientação dos nossos alunos.
No seguimento do propósito de dar a conhecer as escolas que integram a rede UAARE, destacamos, nesta edição, a Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria, através de uma entrevista à sua Diretora, Professora Celeste Frazão.
Numa lógica de valorização da diversidade do universo desportivo UAARE, o destaque vai, neste número, para o Padel, modalidade em crescimento e cada vez mais representativa entre os nossos alunos-atletas.
Continuamos também a dar relevo às boas práticas desenvolvidas no terreno. Nesta edição, destacamos a rubrica “SALA LED: UAARE no digital”, do Agrupamento de Escolas de Alcochete, o II Encontro de Alunos UAARE, promovido pelo Agrupamento de Escolas João de Meira, e ainda o workshop “Refletir para Vencer – com Gilberto Duarte”, dinamizado pela UAARE da ESPAMOL.
Por fim, a rúbrica “Em Foco” continua a afirmar-se como um espaço privilegiado de valorização dos percursos de excelência dos nossos alunos e ex-alunos, inspirando toda a comunidade com exemplos de dedicação, resiliência e sucesso.
A todos quantos integram o programa UAARE, alunos, professores, diretores, treinadores, famílias e parceiros, desejamos um excelente terceiro período, repleto de conquistas, superação e realização pessoal e coletiva.
SEAM ND
Notícias UAARE em destaque
Nesta secção, incluímos as notícias publicadas no site UAARE. Consulte todas as notícias aqui.
A UAARE nos media
Nesta secção, incluímos referências nos media ao trabalho das UAARE e dos seus alunos-atletas.
Aconteceu ... e queremos dar a conhecer
Equipa nacional UAARE reforça aposta na inovação educativa com participação estratégica na BETT Show 2026

A cidade de Londres acolheu, entre os dias 21 e 23 de janeiro de 2026, uma experiência de imersão internacional da Equipa Nacional UAARE, no âmbito da BETT Show 2026, considerada uma das maiores feiras mundiais de tecnologia aplicada à educação. Esta participação estratégica reafirma o compromisso do programa com a inovação, a antecipação de tendências e o reforço de soluções estruturais que sustentem, de forma consistente, o percurso dos alunos-atletas. A delegação UAARE integrou o Coordenador Nacional, Victor Pardal, os Subcoordenadores Nacionais Pedro Seco e Luís de Deus, bem como os elementos Filipe de Castro, João Fernandes e Fábio Ribeiro. Ao longo dos três dias, a equipa teve contacto direto com um vasto conjunto de soluções tecnológicas emergentes, com especial enfoque na sua aplicabilidade à carreira dupla, cruzando educação e desporto de alto rendimento.

Entre os principais eixos explorados destacou-se a Inteligência Artificial aplicada à aprendizagem, com ferramentas orientadas para promover percursos mais flexíveis, autónomos e personalizados, fundamentais para alunos sujeitos a exigentes calendários competitivos. Foram igualmente analisadas soluções de avaliação e feedback em tempo real, capazes de agilizar processos pedagógicos e reforçar o acompanhamento individualizado dos alunos.
Outro domínio em evidência foi o dos laboratórios digitais portáteis, que permitem assegurar a continuidade das aprendizagens práticas em contextos de mobilidade, bem como o recurso à realidade virtual e a plataformas imersivas para o desenvolvimento de competências transversais, como a comunicação, a tomada de decisão e a gestão de carreira.
A presença na BETT Show possibilitou ainda o estabelecimento de contactos estratégicos com instituições de referência internacional. Destaca-se a aproximação à Universidade de Loughborough, reconhecida mundialmente pela excelência nas áreas do desporto, ciência e educação, abrindo perspetivas de colaboração futura, sobretudo no âmbito do ensino superior. Foi também identificada a General Assembly como uma referência relevante no desenvolvimento de competências digitais e na preparação de atletas para o pós-carreira.

Esta missão contou com o apoio do Comité Olímpico de Portugal, evidenciando o alinhamento estratégico entre as entidades envolvidas e a relevância do trabalho desenvolvido pela UAARE no contexto nacional.

A participação na BETT Show 2026 reforça, assim, o posicionamento do Programa UAARE na linha da frente da inovação educativa, consolidando a sua missão de criar condições de excelência para que os alunos-atletas possam alcançar o seu máximo potencial, tanto no desporto como no percurso académico, sob o mote que continua a orientar a sua ação: “Somos Todos UAARE”.

Interlocutores Desportivos: um novo capítulo na carreira dual em Portugal

A conclusão da 1.ª edição do Percurso de Curta e Média Duração de Interlocutor Desportivo (PCMD ID) assinala um momento estruturante para o desenvolvimento da carreira dual em Portugal, reforçando a qualificação dos profissionais que acompanham alunos e estudantes-atletas.
Promovida pela UAARE, em articulação com a ANQEP e com a parceria do IEFP de Leiria e da Associação de Futebol de Leiria, esta formação pioneira, integrada no Catálogo Nacional de Qualificações, decorreu ao longo de 225 horas, em regime híbrido, reunindo formandos de algumas das mais relevantes instituições do panorama desportivo nacional.

Mais do que um percurso formativo, esta iniciativa representou a consolidação de uma visão estratégica: dotar o sistema educativo e desportivo de agentes especializados, capazes de responder às exigências crescentes da conciliação entre o sucesso académico e o rendimento desportivo. Ao longo da formação, os participantes desenvolveram competências ao nível do acompanhamento individual, da promoção do sucesso educativo, da inclusão social e da criação de contextos favoráveis ao desenvolvimento integral dos atletas.

A sessão de encerramento, marcada pela partilha de experiências e reflexão conjunta, evidenciou o impacto transformador deste percurso. Ficou clara a importância destes profissionais enquanto mediadores, facilitadores e agentes de mudança no ecossistema da carreira dual. Este marco ganha ainda maior relevância por abrir caminho a uma nova etapa de qualificação, com a criação do curso de nível 5 de Especialista em Tutoria Desportiva, atualmente em fase final de aprovação, que permitirá estruturar e reconhecer formalmente esta área de intervenção.
Com esta aposta, a UAARE afirma-se, uma vez mais, como referência na construção de um modelo integrado, inovador e sustentável, onde o acompanhamento dos alunos-atletas é cada vez mais qualificado, intencional e eficaz. Um passo decisivo para garantir que o talento desportivo continua a caminhar lado a lado com o sucesso educativo.

À Conversa com o Professor Acompanhante: dar voz a um pilar do programa UAARE
A criação da rúbrica “À Conversa com o Professor Acompanhante” nasce da vontade de dar visibilidade a um dos elementos mais determinantes no sucesso do programa UAARE: o Professor Acompanhante (PA).
Figura discreta, mas absolutamente central, o PA é muito mais do que um mediador entre a escola e o percurso desportivo dos alunos-atletas. É quem acompanha de perto os seus desafios diários, quem articula soluções com professores, treinadores e famílias, e quem garante que a exigência do alto rendimento não compromete o percurso académico. É também um agente de proximidade, capaz de escutar, orientar e motivar, contribuindo decisivamente para o equilíbrio e bem-estar dos alunos.
Num contexto em que a gestão da carreira dual exige respostas flexíveis, humanas e individualizadas, o papel do Professor Acompanhante revela-se essencial. A sua intervenção permite prevenir situações de insucesso, promover a autonomia dos alunos e construir percursos sustentáveis, onde a excelência desportiva caminha lado a lado com o sucesso escolar.
Com esta nova rúbrica, pretende-se dar voz a estes profissionais, conhecendo as suas experiências, estratégias, desafios e boas práticas. Ao partilhar os seus testemunhos, procuramos não só reconhecer o seu trabalho, mas também inspirar e fortalecer toda a rede UAARE.
Porque por detrás de cada aluno-atleta bem-sucedido, há sempre um Professor Acompanhante que fez a diferença.
À Conversa com o Professor Acompanhante
Professor Paulo Pereira, AE Camilo Castelo Branco
Na estreia da rúbrica “À Conversa com o Professor Acompanhante”, damos voz ao Professor Paulo Pereira, da UAARE do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, cuja reflexão evidencia o papel central deste docente no acompanhamento dos alunos-atletas e na promoção de uma carreira dual de sucesso.
Na sua perspetiva, qual é o maior desafio da carreira dual?
O principal desafio é a conciliação entre as exigências do percurso escolar e do alto rendimento desportivo. Os alunos vivem sob uma pressão constante, com treinos, competições e compromissos académicos, o que exige uma gestão muito rigorosa do tempo e das prioridades.
Que papel assume a escola nesse equilíbrio?
A escola tem de ser uma parceira ativa. A organização dos horários escolares é pensada em função das exigências dos alunos-atletas, permitindo compatibilizar treinos, estágios e competições com o percurso académico. Este ajustamento é determinante para o sucesso.
De que forma o acompanhamento individual faz a diferença?
O Pedagógico Individual é uma ferramenta essencial, pois permite adaptar o percurso escolar às necessidades de cada aluno. Paralelamente, o acompanhamento próximo possibilita identificar dificuldades atempadamente e encontrar soluções adequadas.
Quantos alunos integra atualmente a UAARE do AECCB?
A UAARE do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco integra atualmente um número significativo de alunos-atletas, distribuídos por diferentes modalidades e níveis competitivos, o que torna este trabalho ainda mais exigente e desafiante, mas também mais enriquecedor. Concretamente, são uma centena de alunos–atletas, entre o 6º e o 12º ano, distribuídos por 11 modalidades desportivas e pertencentes a 21 clubes.
Que estruturas de apoio destacaria no vosso agrupamento?
Destacaria a Sala de Estudo Aprender Mais, que permite um acompanhamento mais individualizado e ajustado às necessidades dos alunos. O apoio psicopedagógico é igualmente fundamental, sobretudo na gestão emocional e na preparação para momentos de maior exigência competitiva.

Que importância têm as competências socioemocionais neste processo?
São absolutamente determinantes. Competências como a disciplina, a resiliência, a autorregulação e a tomada de decisões responsáveis são trabalhadas diariamente e refletem-se tanto no rendimento escolar como no desportivo.
Que impacto tem este trabalho nos resultados dos alunos?
Os resultados têm sido muito positivos. De uma forma geral, os alunos-atletas evidenciam elevados níveis de organização, responsabilidade e compromisso, conseguindo alcançar sucesso nas duas vertentes.

Que papel têm as parcerias e, em particular, o Município?
As parcerias são fundamentais. O apoio do Município tem sido decisivo, nomeadamente na criação de melhores condições para os alunos, como a disponibilização de espaços e recursos que facilitam o estudo e o acompanhamento. Esta articulação reforça a qualidade da resposta educativa.

Como avalia o impacto global do programa UAARE?
O impacto é muito positivo. Mais do que os resultados, importa destacar o desenvolvimento integral destes jovens, que se tornam mais autónomos, preparados e capazes de enfrentar desafios futuros.
Que significado tem, para si, ser Professor Acompanhante?
É uma função exigente, mas extremamente gratificante. A proximidade com os alunos, o acompanhamento do seu percurso e a possibilidade de contribuir para o seu sucesso pessoal, académico e desportivo são aspetos que dão um enorme sentido ao nosso trabalho.

Que mensagem final gostaria de deixar?
A UAARE é um projeto de excelência. No nosso agrupamento, temos conseguido criar condições para que os alunos-atletas tenham sucesso nas duas áreas, demonstrando que é possível formar campeões no desporto e na escola.
Obrigado Paulo!
Vamos conhecer algumas escolas UAARE

Escola Secundária Afonso Lopes Vieira | Leiria
No seguimento do propósito da newsletter nacional UAARE de dar visibilidade às escolas que integram esta rede, neste número destacamos a Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria. A entrevista à sua Diretora, Professora Celeste Frazão, permite conhecer mais de perto esta escola, a sua ligação ao desporto e o trabalho desenvolvido no âmbito da promoção da carreira dual dos alunos-atletas.
Agradecemos, desde já, a sua disponibilidade e contributo, que enriquecem a partilha de boas práticas e reforçam a identidade da UAARE a nível nacional.
Entrevista à Diretora da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira
Professora Celeste Frazão

Enquadramento e organização interna
SEAM ND - A Escola Secundária Afonso Lopes Vieira integra o Programa UAARE há já algum tempo. O que motivou a escola a abraçar este projeto?
Diretora - O que levou a escola a abraçar este projeto resultou de um convite, por parte da CML para a escola elaborar a candidatura, atendendo à nossa experiência de ensino articulado com a Academia de Dança Annarella Sanchez. Tudo isto parecia um “sonho” e aceitamos de imediato o convite, conscientes de que seria uma oportunidade de grande sucesso para os nossos alunos e de notoriedade para a escola.
SEAM ND - De que forma a presença da UAARE tem contribuído para a cultura organizacional da escola?
Diretora - A presença da UAARE tem contribuído de forma significativa para a cultura organizacional da escola, promovendo uma maior valorização da prática desportiva em articulação com o percurso académico.
Esta iniciativa tem reforçado uma cultura de inclusão e de apoio individualizado, incentivando práticas pedagógicas mais flexíveis e ajustadas às necessidades dos alunos atletas, ajustando os horários escolares às necessidades dos treinos. Para além disso, tem fomentado o reforço do trabalho colaborativo entre professores, treinadores/federações e restantes intervenientes, contribuindo para uma escola mais aberta às especificidades dos alunos e orientada para o sucesso global dos mesmos.
SEAM ND - Que impacto concreto sente na vida dos alunos-atletas ao nível académico e desportivo?
Diretora - O grande impacto da UAARE é apoiar alunos-atletas de alto rendimento na conciliação entre o percurso escolar e a carreira desportiva. A nossa UAARE contabiliza já 46 alunos e apresentamos os dados resultantes da FRM2- Resultados Académicos com taxa de desempenho académico: 95,63%. Mediana das classificações: 3. º Ciclo – 4,08; - Ensino Secundário – 17,80 valores.
Os resultados Desportivos também têm sido notáveis e em grandes competições, quer no Futebol, Ciclismo, Andebol, Pentatlo Moderno, Natação, Kempo e Ballet.
SEAM ND - Como tem sido a articulação entre a direção, coordenador UAARE, professores e clubes? Quais têm sido os maiores desafios na implementação do programa na vossa escola?
Diretora - Em relação ao acompanhamento dos alunos atletas, existe uma equipa de coordenação da UAARE que faz articulação com a Direção, o Diretor de Turma, Professores da turma, Psicólogo Escolar, Encarregados de Educação, Treinadores e Clubes e Federações.
São elaborados Planos individuais de acompanhamento. Há o cuidado de flexibilizar os horários de acordo com os treinos, assim como a disponibilização de plataformas digitais para apoio flexibilização de horários, prazos e momentos de avaliação à aprendizagem em períodos de ausência (estágios, competições).
Em termos de desafios, há uma série de tarefas associadas: Gestão de faltas por participação em estágios e competições nacionais/internacionais; Cansaço físico e emocional dos alunos-atletas; Necessidade de equilíbrio entre exigência académica e desportiva; Comunicação constante com Clubes e Federações; Sensibilização da comunidade educativa para as especificidades do alto rendimento.
SEAM ND - Há alguma prática ou estratégia que considere diferenciadora na vossa UAARE?
Diretora - Uma das práticas que consideramos diferenciadora na nossa UAARE é o acompanhamento individualizado dos alunos atletas, ajustando estratégias pedagógicas às suas necessidades específicas e aos seus calendários competitivos.
SEAM ND - Como caracteriza o perfil dos alunos-atletas da escola?
Diretora - Os alunos-atletas da escola caracterizam-se por serem focados, disciplinados e com objetivos bem definidos e ambiciosos, tanto na vertente desportiva como na vertente académica. Revelam um elevado sentido de responsabilidade, capacidade de organização e resiliência, conseguindo conciliar as exigências do treino e da competição com o percurso escolar. De um modo geral, são alunos exemplares, que se destacam pelo seu empenho e atitude positiva.

SEAM ND - A região de Leiria foi fortemente afetada pela tempestade Kristin. De que forma este acontecimento impactou a escola e a sua comunidade educativa?
Diretora -Desde o dia 28 de janeiro que todos nós ficámos inevitavelmente marcados pelos efeitos da tempestade Kristin, que causou danos significativos em várias infraestruturas e condicionou fortemente a rotina dos nossos alunos-atletas.
Instalações desportivas danificadas, cortes de energia, falhas no abastecimento de água e interrupções nas telecomunicações impossibilitaram, durante vários dias, a prática regular dos treinos de todos os nossos alunos/atletas. Para muitos, o impacto foi além da interrupção temporária, obrigou a reorganizações de rotinas familiares, a deslocações para outros concelhos, a um esforço adicional para conseguirem manter a sua atividade desportiva.
SEAM ND - Num momento de adversidade, que papel sente que a escola desempenhou junto dos alunos, particularmente dos alunos-atletas?
Diretora - A retoma tem sido gradual. Perante a adversidade, teremos todos de responder com trabalho, entreajuda e dedicação. Avizinha-se um segundo semestre exigente, com aprendizagens a recuperar, mas também com a confiança necessária para que consigamos todos terminar o ano em grande. É neste espírito que reforçamos o compromisso do projeto #Somos Todos UAARE, promovendo união, resiliência e apoio mútuo, para que cada aluno-atleta sinta que não está sozinho neste percurso.
A Escola acelerou a conclusão da nova sala SEAM, para garantir as condições ideais para que os alunos-atletas possam consolidar as suas aprendizagens, compensar eventuais ausências escolares, usufruir de apoios educativos e realizar momentos de autoestudo. Trata-se de mais um passo no reforço do compromisso com o sucesso escolar e desportivo dos nossos alunos, num momento difícil para os nossos alunos-atletas e que vai ser um grande upgrade para este 2.º semestre.
O professor acompanhante e a psicóloga mantêm contacto permanente com os AA, os EE e os ID (interlocutores desportivos). Existe uma relação de proximidade com vista a compreender melhor as diferentes situações que cada um agora atravessa.
Após a tempestade, foi enviado um e-mail aos EE e ID e solicitada aos AA informação sobre a situação de cada um, nomeadamente sobre as condições de treino. Neste momento, todos os alunos estão a ser acompanhados pela psicóloga.
São também realizadas reuniões periódicas com os diferentes intervenientes, quer presencialmente, quer por telefone, de modo a conciliar com sucesso os treinos/competições e a escola.
Sempre que os alunos se ausentam por motivos competitivos ou de treino, as aprendizagens são colmatadas com apoios na sala SEAM. Para esse efeito, a escola disponibilizou mais professores e mais apoios: 19 professores e 32 apoios regulares.

SEAM ND -Do ponto de vista pessoal, enquanto diretora, como viveu esse período? Houve algum momento ou gesto da comunidade que a tenha marcado especialmente?
Diretora - Do ponto de vista pessoal, enquanto diretora, vivi esse período com alguma angústia, sobretudo por ver tamanha destruição na escola, um espaço que representa tanto para toda a comunidade educativa. Foi um momento difícil, que exigiu resiliência e capacidade de liderança perante a adversidade.
Ainda assim, no meio dessa situação, houve gestos que me marcaram profundamente, nomeadamente a forma como toda a comunidade, professores, alunos, assistentes operacionais e assistentes técnicos, autarcas do Município de Leiria, entre outros (exemplo, voluntários), se mobilizou para ajudar, demonstrando um forte espírito de união, solidariedade e sentido de pertença. Esses momentos acabaram por reforçar a identidade da escola e a importância do trabalho conjunto.
SEAM ND - Considera que essa experiência reforçou, de alguma forma, os laços da comunidade escolar e a importância de projetos como a UAARE?
Diretora - Esta experiência veio evidenciar ainda mais a importância de projetos como a UAARE, que promovem o acompanhamento próximo dos alunos, o trabalho colaborativo e uma resposta mais ajustada às suas necessidades. Ficou claro que estruturas de apoio organizadas e integradoras são fundamentais para garantir não só o sucesso académico, mas também o bem-estar dos alunos, mesmo em contextos mais adversos.

Visão estratégica e futuro
SEAM ND - Que metas e ambições tem para o futuro da UAARE na Escola Secundária Afonso Lopes Vieira?
Diretora - Para o futuro da UAARE na Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, ambicionamos consolidar e expandir o apoio aos alunos-atletas, garantindo uma articulação ainda mais eficaz entre o percurso académico e desportivo. As perspetivas de evolução do programa na escola são crescentes, dado que queremos aumentar o número de alunos atletas, assim como as modalidades desportivas; reforçar parcerias externas; partilhar boas práticas com outras escolas UAARE; melhorar os recursos e estruturas de apoio na escola.
Pretendemos reforçar práticas de acompanhamento individualizado, promover a inclusão de todos os alunos com potencial desportivo e estimular competências transversais, como autonomia, resiliência e espírito de equipa. A evolução da UAARE na escola passa por consolidar um modelo sustentável, inclusivo e cada vez mais eficaz, capaz de formar não apenas atletas de excelência, mas também alunos responsáveis, autónomos e preparados para o futuro.


SEAM ND - Que mensagem gostaria de deixar a outras escolas que ponderam integrar o Programa UAARE?
Diretora - Gostaria de deixar a mensagem de que integrar o Programa UAARE é uma oportunidade valiosa para a ESALV, assim como para qualquer escola que queira apoiar de forma estruturada os seus alunos-atletas. Encorajo outras escolas a abraçarem este programa, dado que a UAARE continua a ser um programa de referência na escola, que contribui para o sucesso global dos alunos e que fortalece os laços da comunidade escolar em torno de uma cultura de excelência, solidariedade e valorização do esforço e do mérito.
SEAM ND - E aos alunos-atletas que procuram conciliar sonhos académicos e desportivos?
Diretora - Aos alunos-atletas que procuram conciliar sonhos académicos e desportivos, deixo a mensagem de que é possível alcançar o sucesso em ambas as vertentes com dedicação, organização e disciplina. É fundamental acreditar em si próprios e aproveitar a oportunidade que o Programa UAARE oferece, quer em termos de apoio pedagógico, desportivo e psicológico. O esforço e a resiliência caminham de mãos dadas, e cada conquista é motivo de orgulho e de crescimento pessoal.

CAPÍTULO UAARE - FEDERAÇÕES DESPORTIVAS

Numa lógica de dar voz às diferentes modalidades que integram o universo desportivo dos alunos-atletas UAARE, a presente edição da newsletter centra-se no Padel, uma prática que tem vindo a afirmar-se de forma particularmente expressiva no contexto nacional. De fenómeno emergente a modalidade em clara consolidação, o Padel destaca-se hoje não apenas pelo seu crescimento exponencial, mas também pela capacidade de mobilizar praticantes de todas as idades e níveis de experiência, assumindo-se como uma realidade cada vez mais relevante no panorama desportivo português.
Neste enquadramento, a conversa com a Federação Portuguesa de Padel permite-nos compreender melhor os desafios inerentes a um crescimento tão acelerado, bem como as estratégias delineadas para garantir uma estrutura sólida ao nível da formação, da competição e do desenvolvimento de jovens talentos. A aposta numa base formativa consistente, a criação de modelos estruturados de acompanhamento e a crescente articulação com o sistema educativo são alguns dos pilares que sustentam esta evolução.
Particularmente relevante para a comunidade UAARE é a forma como a modalidade encara a dupla carreira, reconhecendo a exigência que recai sobre os jovens que conciliam o percurso académico com o desportivo. A valorização de programas como o UAARE surge, assim, como elemento-chave para assegurar condições de equilíbrio e sucesso, num percurso que se pretende sustentável e integrador.
Mais do que uma modalidade em crescimento, o Padel apresenta-se, neste testemunho, como um espaço de formação integral, onde competências técnicas, cognitivas e humanas se entrelaçam, preparando os jovens não apenas para a competição, mas para os desafios da vida. É esse olhar abrangente que esta entrevista nos convida a explorar.
Deixamos aqui, um agradecimento especial à equipa do Gabinete de Apoio ao Rendimento Desportivo (GARD) e à disponibilidade do Professor Miguel Carmo, Diretor do Padel Jovem e Diretor do GARD, pela colaboração e partilha que tornaram possível esta entrevista.
Identidade e Crescimento da Modalidade

O Padel tem conhecido um crescimento assinalável em Portugal nos últimos anos. Como caracteriza a evolução da modalidade no panorama desportivo nacional?
A evolução tem sido extraordinária e, arrisco dizer, ímpar no panorama desportivo português. O Padel deixou de ser uma "moda" ou um nicho para se assumir como uma modalidade de massas, transversal a todas as idades e estratos sociais. Continua a ser uma das modalidades com maior taxa de crescimento no país, consolidando tanto a vertente de lazer como a competitiva, que se torna cada vez mais forte e exigente.
O padel foi oficialmente reconhecido pelo Conselho Olímpico da Ásia (OCA) e passará a fazer parte do programa dos Jogos Asiáticos. O padel continua a crescer em todo o mundo e o objetivo olímpico parece estar cada vez mais próximo. Brisbane 2032 é o objetivo.
Sendo uma modalidade relativamente recente no contexto federado português, quais têm sido os principais desafios ao nível da estruturação, formação e competição?

Do ponto de vista da FPP, o principal desafio de um crescimento tão rápido é garantir que as infraestruturas, os recursos humanos e a orgânica federativa acompanham essa velocidade, e temos de reconhecer que nem sempre se tem conseguido independentemente do enorme esforço diário. É um trabalho em continuidade.
Ao nível da formação, a prioridade tem sido criar uma base sólida de treinadores e uniformizar metodologias de ensino, sobretudo no que diz respeito ao Padel Jovem. Há cada vez mais oportunidades de formação a serem disponibilizada pela FPP, em áreas que vão desde Juíz-Árbitro a Dirigente, e a adesão tem sido muito satisfatória. Desde a estruturação do primeiros Referenciais de Grau 1, passando pelos de Grau 2 e, este ano com a futura inclusão do Grau 3, tem sido um processo enriquecedor que vemos crescer com satisfação.
Competitivamente, todos os anos tem sido necessário adaptar os regulamentos e reestruturar os quadros competitivos de forma a dar resposta aos desafios da Competição Jovem, da Competição Não-Profissional e da Competição de Alto-Rendimento. Crescer rápido exige um esforço redobrado na manutenção da qualidade.
Que indicadores demonstram que o Padel está a consolidar-se como modalidade de futuro, especialmente junto dos jovens?

O indicador mais claro é o aumento exponencial de licenças jovens e a adesão massiva aos torneios do Circuito Jovem. Há uns anos, muitas vezes os torneios de Jovens eram simultâneos com os torneios de Absolutos, e era comum vários quadros serem muito pequenos ou simplesmente não abrirem; hoje, é comum termos quadros de 32, e cerca de 200 jovens a participar.
A forma inovadora como a FPP conseguiu, no ano de 2025, integrar o Circuito FIP Promises e o Circuito Jovem, permitiu aos nossos jovens competir regularmente com atletas estrangeiros de qualidade superior, o que contribui para o desenvolvimento e para a consolidação. Além disso, os clubes estão a apostar cada vez mais em academias dedicadas aos Jovens, e vemos cada vez mais praticantes a começarem a sua vida desportiva logo no Padel, sem virem "transferidos" de outras modalidades de raquete.

O Campeonato Nacional de Padel Jovem 2025 contou com 268 jovens atletas, o maior número de sempre, a encher os campos de energia, talento e paixão.
Formação e Desenvolvimento de Jovens Atletas
Que estratégias tem a Federação implementado para captar e formar jovens praticantes?
Temos apostado fortemente no Circuito Jovem a partir dos Sub12 e, este ano, expandimos a nossa ação aos Sub8 e Sub10 através de um protocolo com o Padel NextGen.

A aproximação ao Desporto Escolar tem sido vital, sendo o grande desafio encontrar formas mais eficazes de efetivar a transição do Padel Escolar para o Padel Jovem. Simplificando: queremos que o primeiro contacto com a modalidade seja o mais cedo e acessível possível.
Tudo isto é desenvolvido através de uma estreita colaboração interna entre o Padel Escolar e o Padel Jovem, uma dinâmica impulsionada em 2025 com a criação do Gabinete de Apoio ao Rendimento Desportivo (GARD) que embora preste, naturalmente, apoio ao Alto-Rendimento, dedica uma grande parte do seu foco ao fomento e ao desenvolvimento estruturado da modalidade logo desde a sua base.
Existe já um modelo estruturado de desenvolvimento a longo prazo para jovens talentos no Padel português?

Foi este ano apresentado o Plano de Desenvolvimento do Jovem Atleta (PDJA), algo no qual a FPP é pioneira e exemplo a nível mundial, e que servirá de base para os conteúdos formativos de tudo o que diga respeito ao Padel Jovem com o objetivo anteriormente referido da normalização de metodologias de ensino.
Na nossa visão, este é um processo que tem de ser altamente colaborativo entre federação, escolas, clubes, treinadores, atletas e pais. Nesse sentido, consideramos este como o “Ano 0”, em que o foco será a apresentação do PDJA e a recolha de feedbacks de todos os agentes de forma a complementar o documento, sobretudo ao nível da sua materialização no dia-a-dia, focados no terreno e em contacto direto com as academias para consolidar estas metodologias.
Em termos metodológicos, adotamos uma verdadeira dinâmica ecológica do estudante/atleta, alicerçada numa abordagem baseada em constrangimentos. O objetivo é encontrar a relação perfeita entre a deteção de talento e o seu desenvolvimento contínuo, assumindo o combate frontal à especialização precoce. Por isso, a nossa avaliação é multidisciplinar: olhamos não só para a técnica, a tática ou o resultado, mas para a capacidade de resolver problemas, aliada à maturação física e psicológica, garantindo que atingem o seu potencial máximo na idade adulta, sem "queimarem" etapas.
E ao lidarmos com atletas em idade escolar, não é possível uma dinâmica ecológica que não envolva a escola e todo o seu enquadramento, daí a estreita colaboração que temos mantido com o UAARE de forma a dar coerência a todo este plano.
Como é feito o acompanhamento competitivo e técnico dos atletas em idade escolar?

É feito através de uma triangulação constante entre a FPP (Selecionadores e GARD), os clubes/treinadores e as famílias. Promovemos estágios regulares e este ano implementámos um exaustivo programa de observação dos jovens nos momentos competitivos.
Reformulamos o programa Team FPP, em que passámos de 8 estudantes/atletas integrados no ano passado, para 34 atletas em idade escolar, aos quais se juntam 11 atletas sub-23 que poderão beneficiar do novo "UAARE Superior".
O papel das famílias é fundamental, pois considerar que é possível desenvolver o desporto jovem colocando as famílias "à margem" é um erro que esta Federação não pretende cometer. O apoio e alinhamento dos pais são estruturais, no seu papel de educadores e responsáveis pelos atletas.
Dupla Carreira e Articulação com o Programa UAARE
Na perspetiva da Federação, qual é a importância da conciliação entre percurso académico e carreira desportiva?
É uma prioridade absoluta. Nós não queremos formar apenas atletas de elite; mas ajudar a formar cidadãos preparados para o futuro e que continuem ligados à modalidade. O acesso ao Alto Rendimento Absoluto será uma realidade para um número muito limitado de atletas, e mesmo para esses, a carreira desportiva é, por natureza, imprevisível e limitada no tempo.
A dupla carreira garante a estabilidade emocional e o "plano B", enquanto o desporto prepara o futuro adulto para dimensões que o sistema educativo convencional não consegue abranger sozinho.
Que desafios específicos enfrenta um jovem atleta de Padel na gestão da sua vida escolar e competitiva?
Aqui tocamos num ponto nevrálgico. O Padel de alto rendimento exige muitas horas de treino (físico e técnico) e viagens frequentes para competições, muitas vezes internacionais. O grande desafio é a gestão da carga horária, e aqui temos de ser francos, a escola tradicional precisa de fazer muito mais pelo estudante/atleta.
Embora transversal ao longo de todo o percurso escolar, começa-se a fazer sentir mais fortemente no 9º ano, mas é exatamente durante o 10.º e o 11.º ano - a fase de maior asfixia de carga horária letiva e os verdadeiros "picos de pressão" com os primeiros Exames Nacionais - que os nossos jovens estão também numa fase crítica de desenvolvimento desportivo e aumento de carga de treinos. A escola tradicional, com a sua rigidez, simplesmente não comporta esta exigência dupla. Sem uma flexibilização real dos horários nestes anos decisivos, não lhes proporcionamos condições para maximizarem o seu potencial e corremos o sério risco de esgotar estes jovens precocemente e desperdiçar o seu potencial, quer o desportivo, quer o académico.
Que papel pode desempenhar o Programa UAARE no apoio aos atletas da modalidade?
Antes de mais, deixo, em nome da FPP, um agradecimento profundo à UAARE pela colaboração estreita e pela visibilidade institucional que está a dar ao Padel. É um passo gigante para nós. O papel da UAARE é ser a "ponte" para o problema da exigência dupla: permite adequar o enquadramento escolar ao desportivo, conciliar a carga horária escolar, passando pela simples compensação das ausências para representação desportiva até ao apoio pedagógico extra ou psicológico. Permite que o jovem respire e consiga ter sucesso nestas duas vertentes da sua vida, a desportiva e a académica.
Contudo, tal como o Padel, a UAARE tem enormes desafios de crescimento. Há áreas do país sem cobertura, o que obriga algumas famílias a terem de tomar a decisão de lidar com um sistema escolar convencional “impreparado”, ou a verem os filhos abandonar o seu núcleo familiar cedo demais em busca deste apoio noutras geografias. É fundamental que a rede prospere e se desenvolva, pelo menos, para todos os distritos do país, tornando-se verdadeiramente democrática e eficaz. Só com esta expansão estrutural conseguiremos garantir que um talento de qualquer ponto do país tem as mesmas oportunidades de conciliação.
Considera que modalidades emergentes como o Padel beneficiam ainda mais de estruturas de apoio como a UAARE, por estarem em fase de afirmação?
Sem dúvida. O selo da UAARE confere uma legitimidade institucional vital à modalidade perante as escolas, os professores e os encarregados de educação. Muitas vezes, os docentes não têm consciência da carga de treino ou do esforço mental inerente ao desporto jovem. A integração na rede UAARE não só dá segurança aos estudantes/atletas, mas é uma excelente ferramenta para consciencializar os professores para esta realidade, trazendo-os ativamente para a solução.
Que mensagem gostaria de deixar às escolas UAARE relativamente à integração de atletas de Padel?
Que nos vejam como um parceiro a toda a linha. Na Federação, acreditamos que o sucesso de um estudante/atleta assenta numa verdadeira rede de apoio, onde a estrutura desportiva, a família e a escola têm de caminhar obrigatoriamente lado a lado.
Queremos construir convosco uma relação cada vez mais estreita, de comunicação fluida e confiança mútua, para que, juntos, possamos ajudar estes jovens a conciliar a enorme exigência desportiva com o sucesso académico.
E, quem sabe, participar e apoiar nas Vossas próprias reflexões sobre a melhor forma de criar e desenvolver este ecossistema vital para uma bem sucedida Dupla Carreira.
Visão Estratégica e Reconhecimento da Modalidade
O Padel ainda luta por maior reconhecimento institucional e mediático. O que falta para a modalidade atingir um patamar de maior visibilidade?
O crescimento orgânico e a visibilidade mediática já foram conseguidos, fruto do trabalho destes últimos anos. No enquadramento nacional, o que estamos agora a construir é a equiparação institucional a outras modalidades históricas, especialmente no acesso a apoios estatais. No entanto, o reconhecimento é cada vez mais inequívoco: por exemplo, no ano passado, a FPP conseguiu, pela primeira vez, que os resultados das nossas Seleções Jovens nos Europeus de Budapeste de 2024 fossem considerados válidos para a atribuição do Estatuto de Praticante Desportivo de Alto Rendimento pelo IPDJ durante o ano letivo de 2025/2026. É a validação do trabalho estrutural que tem sido feito ao longo dos anos, e que seguramente terá continuidade com os resultados obtidos nos Mundiais de Réus de 2025.

No enquadramento internacional, a FIP procura ainda a melhor fórmula para o enquadramento competitivo e que melhor resolva o paradigma da transição entre o Padel Jovem e a Profissionalização, mas sem dúvida que a tão ambicionada entrada no programa Olímpico é algo já bem mais do que um sonho, podendo tornar-se uma realidade para 2032.
Como vê o posicionamento internacional de Portugal no contexto do Padel europeu e mundial?
Portugal é, indiscutivelmente, uma potência no Padel. Historicamente, estamos no topo do continente europeu e somos uma das nações mais fortes do mundo, logo atrás dos gigantes Espanha a Argentina. O nosso posicionamento é de excelência e a fasquia está alta. Prova disso é a recente demonstração de confiança máxima da Federação Internacional de Padel (FIP), que atribuiu a Portugal a organização do Campeonato da Europa de Jovens, já no final deste mês de junho.
Acredita que poderemos assistir, num futuro próximo, ao surgimento de atletas portugueses de referência internacional?
Não tenho a menor dúvida. Aliás, já temos atletas a dar cartas nos circuitos profissionais, pelo que essa já é uma realidade, mas que queremos ampliar. No que aos Jovens diz respeito, fomos Vice-campeões do mundo em femininos no recente Mundial de Réus, batendo pela primeira vez a Argentina numa competição desta natureza.
Portanto os nossos jovens estão cada vez mais próximos da grande referência, que é Espanha. O grande desafio com que nos deparamos é que países como França, Itália, Países Baixos e outros gozam de orçamentos federativos bem maiores do que os nossos. Mas tudo faremos para combater essa realidade, e ferramentas de apoio como a UAARE são fundamentais para equilibrar a balança. Com as fundações que estamos a lançar no Padel Jovem, o talento que temos na calha vai certamente brilhar lá fora.
Dimensão Humana e Futuro
O que distingue, em termos de valores e perfil humano, um jovem atleta de Padel?
O grande desafio que se coloca é que os Nossos jovens assumam um nível de exigência comportamental consigo próprios que os eleve a outros patamares, e isso tem vindo a ser conseguido progressivamente, mas temos ainda um caminho a percorrer.
O Padel tem a particularidade maravilhosa de aliar características de desportos individuais com as de desportos coletivos. Sendo jogado a pares, num espaço muito fechado e a alta velocidade, o jovem percebe rapidamente que o seu sucesso depende de como comunica com o colega e de como o apoia, de como o apoio do seu colega o ajuda e ainda a partilhar os momentos de pressão. Em simultâneo, não tem uma "equipa inteira" onde possa diluir responsabilidades, nem a hipótese de ir para o banco recuperar emoções e voltar como noutras modalidades coletivas. No fundo, é um desporto que forja pessoas extremamente empáticas, sociáveis e orientadas para a entreajuda, mas perfeitamente conscientes da importância do seu desempenho individual, não se escondendo atrás de ninguém quando o momento assim o exige.
Que competências pessoais considera que a prática do Padel desenvolve e que são transferíveis para a vida académica e profissional?
Destacaria a tomada de decisão rápida sob pressão, o pensamento estratégico, a comunicação assertiva e a gestão emocional face ao erro. No Padel, o ponto a seguir começa em poucos segundos, não há tempo para lamentações ou "ficar preso" ao passado. Considero que estas são "soft skills" de ouro para qualquer carreira e que nós, intencionalmente, procuramos refletir e criar formas de desenvolver no PDJA.
Que conselho deixaria a um aluno-atleta UAARE que esteja a iniciar o seu percurso no Padel?
O meu conselho principal é que encare a escola e o Padel como uma dupla num campo de Padel: um não ganha sem o outro. Por vezes um assume maior protagonismo que o outro, e vice-versa, mas é no equilíbrio que reside o verdadeiro poder da dupla.
Aproveitem as ferramentas que o programa UAARE oferece, comuniquem de forma aberta, e, acima de tudo, divirtam-se no processo. Chegar ao desporto de alto rendimento é exigente e uma miragem para a maioria, pelo que nada vale a pena se não nos colocar um sorriso no rosto. A verdadeira felicidade não pode estar no resultado, mas sim no percurso. O vosso futuro não será ditado por quão bons poderão ser no Padel, mas sim por quem serão na vida. E se essa vida no futuro incluir o Padel... melhor ainda!
Boas práticas - Iniciativas que vale a pena conhecer…

Na continuidade da valorização e divulgação de Boas Práticas no âmbito do programa UAARE, damos neste número especial destaque a um conjunto de iniciativas. Em destaque, a rubrica “SALA LED: UAARE no digital”, desenvolvida pelo Agrupamento de Escolas de Alcochete, o II Encontro de Alunos UAARE, iniciativa promovida pela Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola do Agrupamento de Escolas João de Meira e ainda o workshop “Refletir para Vencer” – com Gilberto Duarte”, levado a cabo pela UAARE da ESPAMOL.
SALA LED: UAARE no digital — AE de Alcochete testa nova rubrica em formato podcast
Esta iniciativa, surge como um exemplo de adaptação às novas linguagens e plataformas, aproximando a comunidade educativa através de um formato atual e apelativo como o podcast.
Após ter sido já objeto de destaque no site nacional UAARE, esta iniciativa merece agora um olhar mais aprofundado, permitindo conhecer melhor a sua génese, objetivos e impacto junto dos alunos-atletas. Para isso, publicamos uma entrevista com Elsa Reia, psicóloga do agrupamento e uma das dinamizadoras deste projeto, cujo contributo tem sido fundamental na promoção de abordagens inovadoras no acompanhamento dos alunos.
A equipa da newsletter UAARE agradece, de forma muito reconhecida, à Dra. Elsa Reia pela sua disponibilidade e partilha, assim como bem como ao Agrupamento de Escolas de Alcochete pelo exemplo de boas práticas que continua a desenvolver. Trata-se de um contributo relevante, que certamente inspirará outras escolas da rede a explorar novas formas de comunicação e apoio aos seus alunos-atletas.


Génese do Projeto
Como nasceu a ideia de criar a rubrica “Conversas de Alto Rendimento”, em formato podcast?
A ideia do Podcast nasceu no final do ano passado pois, sentimos que era muito importante divulgar junto da comunidade educativa e da comunidade de Alcochete o trabalho dos nossos alunos atletas. A divulgação do que é o projeto UAARE, a sua importância para os jovens atletas e a relevância que tem no nosso meio escolar foi o objetivo inicial deste podcast. Temos entre o 7º e o 12º ano, 97 alunos atletas, com bons resultados nas suas competições. Temos muitos alunos com presença em competições internacionais e representantes da Seleção Nacional. Estes alunos, que integram a UAARE, tem ótimo desempenho académico. Ou seja, temos bons exemplos de conciliação entre o desporto e a escola, inclusivamente temos alunos no quadro de excelência. Dar a conhecer o esforço destes alunos atletas, o seu empenho e dedicação na carreira dupla foi o primeiro e grande objetivo deste podcast.
Que necessidades identificaram junto dos alunos-atletas que justificaram esta iniciativa?
Não identificamos propriamente uma necessidade, no entanto, e dado que temos tantos alunos atletas, e dispersos por diversos anos e duas escolas, achámos importante aumentar o sentido de comunidade da UAARE e divulgar as conquistas e percursos dos nossos jovens nas suas diversas modalidades.
Em que medida esta rubrica se enquadra na identidade do AE de Alcochete e no espírito do programa UAARE?
O Agrupamento de Escolas de Alcochete é um agrupamento UAARE. Isto implica um grande esforço dos nossos professores. Pois, como já referido acima, temos muitos alunos atletas que requerem constantemente adaptações pedagógicas. Para isso, os professores são fundamentais na flexibilização das suas metodologias, na flexibilização dos momentos de avaliação e no ajuste das formas de avaliação. Temos professores que acabam por dar aos alunos atletas apoios extra, por vezes fora do horário habitual de trabalho, devido a ausências prolongadas ou ausências em momentos cruciais da atividade pedagógica. Assim, dar a conhecer não só o esforço dos nossos alunos, como o trabalho notável dos nossos professores é uma forma de reconhecer o funcionamento do Agrupamento de Escolas de Alcochete e os seus valores, centrados no desenvolvimento do aluno.
Objetivos Pedagógicos
Quais são os principais objetivos educativos desta rubrica?
O principal objetivo desta rubrica passa por haver um testemunho na primeira pessoa dos alunos mais velhos. Aqui eles partilham o seu percurso dentro da carreira dupla e partilham estratégias de conciliação. Isto vindo de alguém que treina e estuda todos os dias é melhor exemplo para os alunos mais novos se sentirem motivados e encontrarem novos métodos para alcançarem um equilíbrio nestas duas carreiras, a escola e o desporto. Outro objetivo será a divulgação da estrutura UAARE que é um elo fundamental entre o aluno, a comunidade educativa (nomeadamente os professores destes alunos), o clube e as famílias.
De que forma o podcast pode contribuir para o desenvolvimento de competências de comunicação dos alunos-atletas?
Nesta primeira fase, estamos a expor os atletas a uma situação um pouco diferente e nem sempre confortável. Enfrentam a câmara, têm os holofotes apontados a si, têm com microfones e falam para uma audiência desconhecida. Sendo que temos muitos atletas com potencial de alto rendimento, acaba por ser um treino para futuras exposição aos meios de comunicação e desenvolver um pouco toda a parte comunicacional, tanto oral como no saber-estar.
No próximo ano letivos, esperamos conseguir envolver os alunos mais novos. Que também terão esse desafio de estúdio, acrescido ao facto de terem de desenvolver pesquisa sobre os alunos mais velhos que vão entrevistar, por forma a fazerem a sua apresentação e criarem perguntas ajustadas.

Dimensão Humana e Motivacional
Que impacto espera que esta iniciativa tenha na ligação entre alunos-atletas de diferentes idades?
Criar um sentido de comunidade, onde haja não só troca de experiências, mas um maior contacto informal entre os mais novos e os mais velhos.
De que forma o podcast pode reforçar o sentimento de pertença à comunidade UAARE?
Ver e ouvir os alunos atletas num podcast da escola acaba por ser motivador para os outros alunos com carreira dual. A ideia de poder vir a participar no podcast, por exemplo, já é por si, acaba por ser de certa forma entusiasmante. Além disso, ver os alunos atletas representados, ver reconhecido o seu esforço diário promove um sentimento de pertença, tal como sentir que há outros alunos atletas que têm as mesmas preocupações e passam pelos mesmos desafios é reconfortante. A partilha de visões e estratégias sobre a carreira dual é igualmente uma forma de aprendizagem pelo exemplo.
Outra coisa que reforça o sentido de comunidade é mostrar as diversas modalidades que temos no agrupamento, que passam não só pelo futebol, mas também pelo râguebi, futsal, basquete, ginástica, escalada e equitação.

Que tipo de testemunhos ou histórias gostaria de ver partilhadas neste espaço?
Mais importante que o tipo de histórias é serem testemunhos reais e verdadeiros, que reflitam bem o esforço e empenho destes alunos. Testemunhos que mostram que, embora não seja propriamente um desafio fácil, é possível conciliar, com a ajuda da UAARE, a carreira desportiva com a carreira académica.
Mas para além das histórias dos alunos, gostaríamos de, no futuro, também ouvir outras partes envolvidas no processo: os ID’s dos clubes, pois uma boa articulação facilita todo o processo de gestão de todo o processo de articulação entre a escola e o desporto. No nosso caso em particular, temos muitos alunos residentes na Academia Cristiano Ronaldo, e aí o papel do clube torna-se ainda mais proeminente no apoio socio-emocional do aluno, e a proximidade da UAARE e do Agrupamento com a equipa Pedagógica do Sporting é fundamental para o sucesso de conciliação.
Gostaríamos ainda de ver partilhadas as histórias dos professores de alunos-atletas. Sendo que muito do sucesso destes alunos na parte académica se deve ao empenho e dedicação destes professores. O sucesso dos nossos alunos deve-se indubitavelmente ao esforço e organização dos nossos professores.

Construção do Projeto
Em que fase se encontra atualmente o desenvolvimento da rubrica?
O primeiro episódio está previsto sair no dia 25/03/2026, no dia do Agrupamento de Escolas de Alcochete. Sairá em formato vídeo e será divulgado nas redes sociais do AEA para a comunidade em geral. Queremos divulgar o projeto UAARE para além dos portões das escolas e levá-lo à casa das pessoas, dando a conhecer que Portugal tem um projeto que promove o sucesso da conciliação académica e desportiva.
A ideia é termos um episódio a sair por mês até ao final deste ano letivo, e arrancarmos no próximo ano, já com os alunos mais novos a entrevistar os mais velhos.
Que desafios têm surgido na estruturação do formato e na vertente técnica?
A operacionalização do podcast surgiu quando os colegas se encontravam a montar o Laboratório Escolar Digital, a sala LED. Nesse dia pensamos que seria engraçado não só gravar o áudio, mas também filmar, dado que a sala tem condições específicas para isso, como pano verde, microfones adequados, iluminação adequada, etc. Sendo que o podcast acabava por aproveitar, dinamizar e também divulgar a sala LED, que ainda está em fase desenvolvimento do âmbito escolar, pois está totalmente equipada há relativamente pouco tempo. Ou seja, é uma união de sinergias para obtenção de uma atividade diferente, original e entusiasmante para os alunos.
Na parte da gravação, tivemos a ajuda dos professores da sala LED (Professora Maria do Céu e Professor Arlindo), que nos ajudaram a conseguir compreender os equipamentos e a funcionar com eles. Da parte da montagem, acabamos por ter de estudar um pouco, para tentar ter um resultado que não é propriamente excelente, porque não é profissional, mas que é bom. Quando virem o podcast, podem depois fazer as vossas críticas (sorriso).
Que papel têm desempenhado os professores envolvidos e a psicóloga UAARE na consolidação do projeto?
O projeto encontra-se numa fase muito inicial, mas contamos com a ajuda de todos para lhe dar continuidade: os alunos atletas; com as suas histórias e envolvimento nas entrevistas, os professores para articulação de tempos e ajuda na preparação das entrevistas; os clubes para nos facilitarem informação e nos ajudarem também na gestão de tempo para gravações; e claro a equipa da sala LED e a direção do agrupamento para nos ajudarem com a gestão das gravações e a divulgação junto da comunidade.
Toda esta articulação passa sempre pela equipa UAARE, assim este projeto passará sempre pelo empenho dos professores acompanhantes (Maria José Bettencourt, João Vaz e Ana Serafim) e da psicóloga. Só assim será possível a manutenção e desenvolvimento desta ideia.
Visão Estratégica
Acredita que esta iniciativa pode contribuir para dar maior visibilidade ao programa UAARE junto da comunidade? De que forma?
Acredito verdadeiramente que este podcast vai dar uma maior visibilidade ao projeto UAARE. Ouvir e ver os alunos, na primeira pessoa, a apresentar o seu percurso, desafios e conquistas, vai ajudar a comunidade a entender que este projeto existe e se encontra implementado, com sucesso, no Agrupamento de Escolas de Alcochete. Acho que as pessoas desconhecem os grandes alunos atletas deste Agrupamento de Escolas e as suas conquistas. Creio que a maior parte das pessoas não sabe, por exemplo, temos (e tivemos) vários alunos a frequentar este agrupamento, que foram campeões internacionais: como o Alexandre Tverdohlebov, Campeão do Mundo Sub-17 (2025); a Carminho Filipe, Campeã da Europa de Equitação de Trabalho em Juniores (2025) e o Pedro Afonso (que conclui connosco 12ºano no letivo passado), que é vice-campeão europeu dos 200 metros (2025).
Vê potencial para que este modelo seja replicado noutras escolas UAARE?
Sinceramente, não sei. O nosso podcast ainda é uma coisa extremamente recente, está muito no início. No entanto, acho que é uma boa forma de divulgarmos o trabalho da UAARE nas escolas, junto dos alunos- atletas, dos professores, das famílias e da comunidade em geral.
Onde imagina a SALA LED daqui a um ou dois anos?
Espero que os recursos da Sala LED sejam bem aproveitados por todos os alunos do AEA e que possam surgir projetos interdisciplinares neste espaço.
Relativamente ao podcast “Conversas de Alto Rendimento”, esperarmos que no próximo ano letivo tenhamos os mais novos a participar ativamente e ajudem a desencadear novas ideias, desenvolvendo o digital da nossa UAARE. O meu desejo era que daqui por dois anos o podcast continuasse, claro!
Mensagem Final
Que mensagem gostaria de deixar aos alunos-atletas que venham a participar na rubrica?
Que compreendam que falar sobre vocês é motivar os colegas e uma forma de homenagear todos os que trabalham (de forma mais ou menos visível) para o sucesso da vossa carreira dual. Disponibilizar um pouco do vosso tempo para participar no podcast é partilhar desafios, experiências e métodos de superação, mas também ajudar a construir uma comunidade de apoio, inspiração e pertença!
Capacitar para o Sucesso: II Encontro UAARE e I Webinar reforçam a carreira dual no AE João de Meira

No âmbito da partilha de Boas Práticas da rede UAARE, destacamos a iniciativa promovida pela Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola do Agrupamento de Escolas João de Meira, que voltou a afirmar o seu compromisso com o desenvolvimento integral dos alunos-atletas.
No passado dia 25 de fevereiro, realizou-se o II Encontro de Alunos UAARE, reunindo 31 alunos-atletas numa sessão formativa centrada em competências essenciais ao sucesso na carreira dual. A iniciativa contou com a colaboração do Vitória Sport Clube, entidade parceira do programa, através da sua equipa de psicólogos da formação, que dinamizou uma mini-formação dedicada a temas como o autocuidado, a gestão do stresse e a gestão do tempo — pilares fundamentais para o equilíbrio entre as exigências desportivas e académicas.

Paralelamente, teve lugar, no mesmo dia, o I Webinar UAARE, desenvolvido em parceria com a Unidade UAARE da Escola Secundária Martins Sarmento e com o Vitória SC. Esta sessão foi dirigida aos encarregados de educação, com o objetivo de os capacitar com estratégias práticas que lhes permitam apoiar de forma mais eficaz os seus educandos na gestão dos desafios inerentes à carreira dual.
Estas iniciativas evidenciam a importância do trabalho colaborativo entre escolas e entidades desportivas, bem como o envolvimento ativo das famílias no percurso dos alunos-atletas. Mais do que momentos pontuais, representam um investimento consistente na formação pessoal e desportiva dos jovens, reforçando a ideia de que o sucesso na carreira dual se constrói em rede. Afinal, como tão bem sublinham: somos todos UAARE.
“Refletir para Vencer”: uma prática inspiradora de desenvolvimento integral


O workshop “Refletir para Vencer – com Gilberto Duarte” destacou-se como uma excelente prática no âmbito da intervenção UAARE, evidenciando o impacto positivo de abordagens centradas no desenvolvimento pessoal e socioemocional dos alunos-atletas.
Mais do que uma sessão de cariz motivacional, esta iniciativa proporcionou um contacto autêntico com a realidade do desporto de alto rendimento, através do testemunho genuíno de um atleta que partilhou não apenas conquistas, mas também desafios, dúvidas e momentos de superação. Esta dimensão humanizada revelou-se particularmente significativa, permitindo aos alunos uma identificação real com o percurso apresentado.
O workshop integrou diversas atividades estruturadas no âmbito da Aprendizagem Socioemocional, promovendo competências essenciais como o autoconhecimento, a autorregulação emocional, a tomada de decisões responsáveis e a definição de objetivos. A forte componente interativa incentivou a participação ativa dos alunos, desafiando-os a transformar reflexões em compromissos concretos aplicáveis ao seu quotidiano.
A articulação entre o testemunho do convidado e a mediação da equipa UAARE reforçou a eficácia da ação, criando um ambiente de confiança, partilha e crescimento.

Enquanto boa prática, esta iniciativa evidencia a importância de integrar experiências significativas e metodologias ativas na formação dos alunos-atletas, contribuindo de forma clara para o seu desenvolvimento integral — pessoal, académico e desportivo.

Na continuidade do propósito da newsletter nacional UAARE de dar visibilidade aos percursos de excelência dos seus alunos ou antigos alunos-atletas, damos agora a conhecer o trajeto de uma jovem que personifica, de forma exemplar, a missão do programa: conciliar o sucesso académico com o desempenho desportivo ao mais alto nível.
Histórias como esta evidenciam o impacto positivo do modelo UAARE, mostrando que é possível trilhar caminhos exigentes com equilíbrio, determinação e ambição. Mais do que resultados, são percursos que inspiram e que reforçam a importância de uma escola capaz de apoiar e potenciar talentos em múltiplas dimensões.
Vamos, por isso, conhecer melhor o percurso de Matilde Parreira.

Matilde Parreira, natural de Leiria, integrou a Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira entre 2022 e 2025, destacando-se desde cedo pela forma consistente como conciliou a exigência do ténis de alto rendimento com um percurso escolar de qualidade.
Antes de dar o salto para o ensino superior internacional, construiu um percurso desportivo sólido a nível nacional e internacional. Foi uma das principais referências do ténis jovem em Portugal, tendo alcançado o estatuto de número 1 nacional no escalão de sub-18 e conquistado diversos títulos regionais e nacionais, tanto em singulares como em pares. Entre os seus resultados mais relevantes, destacam-se vitórias em competições regionais nos escalões de sub-18 e seniores, bem como presenças em finais e meias-finais de torneios nacionais e internacionais do circuito ITF Júnior.
O seu talento e consistência competitiva permitiram-lhe ainda alcançar posições relevantes nos rankings internacionais, com um lugar entre as melhores classificadas no ranking ITF Júnior e presença no ranking WTA, evidenciando o seu potencial e projeção no panorama do ténis.
Em 2025, Matilde iniciou uma nova etapa do seu percurso ao ingressar na Eastern Michigan University, nos Estados Unidos da América, beneficiando de uma bolsa de estudos que lhe permite prosseguir simultaneamente a sua formação académica — na área da engenharia — e a carreira desportiva. Integra a equipa universitária de ténis feminino, competindo na exigente divisão I da NCAA.
Desde a sua chegada, tem evidenciado uma adaptação muito positiva ao contexto competitivo universitário. Na época 2025-26, já somou várias vitórias importantes em singulares e pares, contribuindo diretamente para o sucesso da equipa. Destaca-se, por exemplo, a sua capacidade de decisão em momentos-chave, tendo garantido pontos decisivos para a sua equipa em encontros equilibrados, bem como o reconhecimento obtido ao ser distinguida, em parceria com a colega Sabrina Tolstova, como “Doubles Team of the Week” da conferência Mid-American. Este percurso revela uma atleta completa, marcada pela dedicação, resiliência e capacidade de superação, qualidades que lhe permitiram construir um caminho de excelência e que continuam a impulsioná-la numa realidade altamente competitiva.
No seguimento de recente newsletter da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, dedicada ao percurso de Matilde Parreira, partilhamos aqui o seu testemunho através de um breve conjunto de questões que nos permitem conhecer a sua experiência atual.
As perguntas que se seguem, da autoria da UAARE da ESALV, incidem sobre a vivência académica e desportiva nos Estados Unidos da América, a forma como é feita a conciliação entre estas duas dimensões em comparação com Portugal, e, por fim, os conselhos que deixa aos alunos-atletas que integram o programa UAARE. Trata-se de um contributo particularmente relevante, pela atualidade do seu percurso e pelo exemplo que representa para toda a comunidade educativa.
Como está a correr a tua experiência escolar e desportiva nos EUA?

«Estou a gostar muito de estar na Eastern Michigan University, nos EUA. Tem sido uma experiência muito positiva, embora bastante diferente, sobretudo a nível escolar, já que os métodos de ensino e avaliação são diferentes dos de Portugal. No primeiro semestre, os primeiros dias foram de adaptação, mas valeu claramente a pena. A nível desportivo, a experiência tem sido igualmente muito positiva e desafiante. Encontrei excelentes condições de treino, infraestruturas incríveis, novos parceiros de treino e um nível de ténis muito elevado, com apoio de preparadores físicos, fisioterapeutas, mental coaches e nutricionistas. Aqui trabalhamos verdadeiramente em equipa, com um forte sentido de “nós”, algo pouco comum no ténis. Os treinos são exigentes, tanto física como mentalmente, com maior carga horária, preparação física e fisioterapia. Vou agora iniciar o segundo semestre, com seis cadeiras, três do meu curso e três gerais do sistema americano. A nível desportivo, vamos começar o campeonato universitário e a nossa época começa já dentro de uma semana.»
Como é feita a conciliação das duas vertentes nos EUA, em comparação com Portugal?

“Aqui o sistema é diferente. O treinador define os horários de treino e sou eu que marco as aulas de acordo com esses horários, evitando ao máximo conflitos. Quando temos competições, posso faltar às aulas sem problema, pois estou a representar a universidade. Algumas cadeiras são online, outras presenciais, e há sempre bastante trabalho de casa, o que exige boa organização do tempo. A rotina é exigente, com treinos, aulas e fisioterapia, mas é uma oportunidade única para evoluir no desporto e, ao mesmo tempo, tirar um curso.”
Que conselhos darias aos nossos alunos-atletas?
“Acho que vir estudar para os EUA é uma forma de continuar a evoluir como jogadora, com o objetivo de tentar o profissional, e ao mesmo tempo tirar um curso sólido. Ao contrário de Portugal, onde muitas vezes é preciso escolher entre estudar ou praticar desporto, aqui consigo fazer as duas coisas e até tenho mais tempo para o ténis. Além disso, levo comigo novas experiências, pessoas e amizades para a vida. É, sem dúvida, outro mundo.”
A equipa da newsletter UAARE expressa um sincero agradecimento à UAARE da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira pela partilha deste percurso inspirador.
É, pois, com grande orgulho que destacamos o trajeto da Matilde Parreira, exemplo maior do espírito e dos valores promovidos pelo programa. A sua dedicação e capacidade de conciliar com sucesso as exigências académicas e desportivas são motivo de reconhecimento.
Desejamos-lhe os maiores sucessos pessoais, académicos e desportivos nesta nova etapa nos Estados Unidos da América.

Em Foco…
Em foco: reconhecer, inspirar, continuar
A rubrica “Em Foco” continua a afirmar-se como um espaço de valorização dos percursos de excelência de alunos e ex-alunos UAARE, dando visibilidade a conquistas que resultam de talento, trabalho consistente e da capacidade de conciliar, com sucesso, a exigência académica e o alto rendimento desportivo. Mais do que destacar resultados, esta rubrica pretende reconhecer trajetos inspiradores e reforçar a missão da UAARE enquanto política pública que acredita no desenvolvimento integral dos jovens atletas.
Duas conquistas, um mesmo compromisso com a excelência: Rita Marques e Rafaela Sá
Rita Marques: a força da consistência no topo do karaté europeu

Rita Marques, aluna-atleta da UAARE do Agrupamento de Escolas Fontes Pereira de Melo, tem vindo a afirmar-se como um dos maiores talentos do karaté jovem europeu, protagonizando um percurso marcado por conquistas sucessivas e uma consistência notável.
O momento mais recente dessa trajetória foi a conquista do título de Campeã Europeia de Kata pelo terceiro ano consecutivo, alcançada no Campeonato Europeu de Cadetes, Juniores e Sub-21, em Limassol, Chipre. Um feito de enorme relevância que confirma o seu domínio progressivo na disciplina e a sua capacidade de se manter ao mais alto nível competitivo ao longo dos diferentes escalões.

A nível nacional, Rita continua igualmente imbatível. Sagrou-se Campeã Nacional de Karaté pela sexta época consecutiva, reafirmando a sua superioridade no escalão júnior feminino e consolidando um percurso de excelência sustentado no rigor técnico, disciplina e maturidade competitiva.
Sem tempo para celebrar, a atleta voltou a demonstrar a sua resiliência ao participar, poucos dias depois, na Karate One Youth League, nos Emirados Árabes Unidos — uma das mais prestigiadas competições mundiais da modalidade, que reúne a elite jovem internacional. Esta presença reforça o seu estatuto entre as melhores karatecas da sua geração.
Mais do que os títulos alcançados, o percurso de Rita Marques distingue-se pela sua capacidade de superação, pelo compromisso contínuo com a excelência e pelo equilíbrio exemplar entre as exigências escolares e o alto rendimento desportivo.
Um verdadeiro exemplo do espírito UAARE, que inspira e eleva o nome da escola e do desporto português.
Rafaela Sá: talento em corrida, excelência em construção

Rafaela Sá, aluna-atleta da UAARE da Escola Secundária João Gonçalves Zarco, voltou a afirmar-se como uma das mais promissoras jovens do atletismo nacional ao conquistar o título de Campeã Nacional de 5 km em Estrada, na categoria Sub-18 feminina, em Vila Real de Santo António.

Num contexto competitivo exigente, Rafaela destacou-se pela sua consistência, capacidade de gestão de esforço e maturidade competitiva, assegurando um triunfo que confirma a evolução sustentada do seu percurso desportivo. Atleta do Sporting Clube de Portugal, tem vindo a evidenciar um crescimento sólido, alicerçado no trabalho diário, na disciplina e numa forte determinação em superar desafios.
Este resultado assume particular relevância no quadro da carreira dual, sendo reflexo da capacidade de conciliar, com sucesso, as exigências do alto rendimento desportivo com o percurso académico. O acompanhamento proporcionado pela UAARE tem sido, neste contexto, determinante, garantindo o equilíbrio necessário para que a atleta possa continuar a evoluir de forma integrada.
Mais do que um título nacional, esta conquista simboliza um trajeto de compromisso, resiliência e ambição, afirmando Rafaela Sá como um exemplo inspirador para a comunidade UAARE e para todos os jovens que procuram alcançar a excelência dentro e fora da escola.
Apesar de distintas nas modalidades e nos contextos em que foram alcançadas, estas conquistas partilham um denominador comum: a excelência nasce da combinação entre visão, compromisso e equilíbrio. A UAARE orgulha-se de continuar a apoiar percursos que demonstram, de forma clara, que o sucesso académico e o desempenho desportivo podem evoluir de forma articulada e consistente.
Mais do que momentos de celebração, estes resultados representam fontes de inspiração, reforçando a convicção de que, com dedicação e determinação, os jovens alunos-atletas podem ambicionar mais e alcançar patamares cada vez mais elevados.
Destaques das newsletters de escola
A newsletter mensal de escola tem como objetivo melhorar os canais de comunicação interna, tanto na própria escola como entre escolas UAARE. Esta newsletter é preparada pelo/a Professor/a Acompanhante e publicada na plataforma Teams UAARE, no canal geral, sendo assim partilhada com toda a rede nacional de escolas e servindo para fornecer informação a integrar na newsletter mensal nacional. Esta newsletter de escola é também partilhada na plataforma interna da escola para divulgar a atividade da UAARE local junto de alunos-atletas e a equipa de escola, ou mesmo para toda a escola e comunidade, via website ou outros canais existentes.
Nesta secção destacamos algumas informações partilhadas pelas escolas.
Agrupamento de Escolas Portela e Moscavide


Agrupamento de Escolas Júlio Dantas



Agrupamento de Escolas Padre António Martins de Oliveira - Lagoa



Agrupamento de Escolas de Alcochete

Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa




Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira


Equipa Nacional UAARE
SEAM ND